Lula destaca relação com o Congresso em evento do 8/1 sem presença de Motta, Alcolumbre e ministros do STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nesta quinta-feira a relação com o Congresso Nacional, durante o evento que marca os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e depredadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração ocorre sem a presença da cúpula do Congresso: Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estão em seus redutos eleitorais.
— No Congresso temos 513 deputados e 81 senadores, enquanto meu partido só tem 9. E mesmo assim, conseguimos aprovar coisas que governantes que tiveram a maioria do Congresso, não conseguiram aprovar.
O presidente afirmou ainda que o 8 de janeiro de 2023 entrou para a história como a "virada na nossa democracia".
— Foi a derrota dos que sempre defenderam o exterminio de adversários, a tortura, queriam submeter o Brasil a um estado de exceção. Os inimigos da classe trabalhadora e das suas conquistas. Eles foram derrotados. O Brasil e o povo brasileiro venceram. Amigos e amigas, as tentativas do golpe nos fazem lembrar que a democracia não é uma conquista inabalavel, mas uma construção.
A cerimônia ocorre no próprio edifício que foi um dos alvos dos ataques. A perspectiva é de que Lula vete, durante o evento, a lei aprovada pelo Congresso em dezembro para reduzir a pena de condenados por golpe de Estado.
A programação reúne autoridades do Executivo, do Judiciário e do Legislativo, além de convidados. Segundo o governo, o ato tem caráter institucional. A cerimônia, contudo, ocorre sem a presença de ministros do STF.
A maior parte dos ministros estão na solenidade. Fernando Haddad, da Fazenda, contudo, se ausentou. Ele está de férias e é substituido pelo secretário Dário Duringan.
No Salão Nobre do Palácio, convidados da Presidência entoaram coros de "sem anistia", em referência ao já anunciado veto de Lula.
Discurso pró-democracia
O governo adotou um coro em prol da democracia, que refletiu nos discursos. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ressaltou isso, ao falar da extrema-direita:
— O que nos diferencia é quem tem apreço pela democracia e quem não tem apreço pela democracia. Quero cumprimentá-lo, presidente, pela postura firme nas tentativas de golpe no país. Justiça não se divide, Justiça não se fraciona. Quem cometeu crimes, deve pagar pelos crimes e sofrer o peso da história.
Já no início do evento, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que os crimes contra o Estado de Direito "são imprescritíveis e não são passíveis de graça, indulto ou anistia".
Os ataques de 8 de janeiro resultaram em investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal e em condenações de envolvidos. Desde então, o episódio vem sendo lembrado em agendas oficiais como referência à resposta institucional aos atos de violência.
