Lula: equipe petista não definiu, até o momento, uma proposta específica para os indecisos na busca pelo voto útil Brenno Carvalho/Agência O Globo - 31/8/2026 Na reta final da eleição, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelera a agenda voltada à sua base mais fiel, enquanto busca uma forma de avançar sobre o eleitorado ainda indeciso. A estratégia combina um reforço na divulgação de programas sociais, viagens previstas ao Nordeste e uma ofensiva de artistas e influenciadores nas redes. Nos bastidores, porém, a equipe admite não ter um plano definido para o chamado voto útil e alega que seguirá apostando, sobretudo, na rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para abrir vantagem sobre o principal adversário. Nas últimas semanas, com o avanço do candidato do PL nas pesquisas de opinião, Lula se sustentou na máquina do governo para fazer anúncios em tom eleitoreiro, como o reajuste de 15% do Bolsa Família e de outros apelos mais “populares”, como o fim da escala de trabalho 6x1. Também escalou o tom contra as apostas online em programas eleitorais. A quase dez dias do primeiro turno, aliados petistas têm pontuado que “nenhum eleitorado está garantido” e que essas pautas precisam ser reforçadas pois reverberam nos grupos das pessoas impactadas. Em um exemplo usado por parte da campanha, membros não beneficiados diretamente pelo aumento do Bolsa Família podem “ver o governo com melhores olhos” caso alguém relate impactos positivos. Da mesma forma, argumentam que, embora o reajuste de R$ 91 no benefício seja “pouco”, como tem acusado Flávio, pode dar um alívio a famílias que, na hora de irem às compras, conseguem colocar alguns itens a mais no carrinho. Paralelamente, o governo espera impacto positivo do discurso do presidente na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira (22). Eles calculam que a repercussão das falas de Lula em fóruns internacionais, especialmente no embate com o líder americano, Donald Trump, é, na maior parte das vezes, positiva, e costuma melhorar a aprovação do Executivo. A força-tarefa para o primeiro turno também contempla a participação de artistas. Nesta quarta-feira (23), Lula irá ao Rio de Janeiro apresentar propostas de um eventual novo governo a artistas, lideranças políticas e personalidades da cultura. Paralelamente, a campanha vem convocando atores e cantores para divulgarem apoio à reeleição do chefe do Executivo nas redes. Na última semana, artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Malu Mader participaram de um vídeo falando “Bora Lula”. Embora tenha estabelecido esse novo enfoque nos últimos dias, a equipe petista não definiu, até o momento, uma proposta específica para os indecisos na busca pelo voto útil, ou seja, quando o eleitor troca seu candidato preferido por outro mais competitivo para tentar barrar um adversário. Esse pequeno grupo que diz fugir da chamada “polarização” e que tem ajudado a decidir as últimas eleições é visto pelos petistas como uma massa que pode, sim, ser impactada pela estratégia geral da campanha, que é mostrar os feitos do Lula neste terceiro mandato. Essa parte da campanha argumenta, por exemplo, que falar em “pauta para os indecisos” não é eficiente porque, no Brasil, eles têm o perfil muito variado - alguns se importam mais com corrupção, outros com serviço, outros com economia. Por isso, seguir apostando nas mudanças do país deste mandato em relação à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, algo usado à exaustão nas peças para a televisão, seria mais eficiente. Dessa forma, vão insistir em mostrar “quem é Flávio” e apostar em uma escalada na sua rejeição. Nessa linha, da mesma forma que bolsonaristas têm ligado Lula ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), petistas querem emplacar que o “Flávio é [o ex-banqueiro do Master, Daniel] Vorcaro, e Vorcaro é Flávio”, além de relacioná-lo à administração do pai, lembrando o número de mortes durante a pandemia.
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Lula dedica agenda ao eleitorado fiel e busca o voto indeciso
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