Em vídeo no X, presidente diz que só quem lucra com o sofrimento dos mais pobres quer a volta das apostas. Fux ouve governo, setor e clubes nesta terça.
Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais na manhã desta terça-feira (3) para convocar a sociedade civil a pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) no dia da audiência pública sobre as bets.
Em vídeo publicado no X, gravado logo depois de se exercitar, Lula afirmou que o lobby a favor das apostas está mais mobilizado do que quem defende a proibição. Ele pediu que a Corte mantenha as casas de apostas fechadas.
Na legenda, o presidente subiu o tom e tratou o julgamento como uma disputa de lados. “De um lado, há quem defenda os interesses de empresas que lucram com o sofrimento do povo.
Do outro, está a sociedade civil, que luta para proteger as famílias e a vida de milhões de brasileiros e de brasileiras”, escreveu. No vídeo, ele fez o alerta sobre a mobilização do setor.
“É importante que a sociedade civil acompanhe, porque me parece que tem mais gente participando que tem interesse que elas continuem funcionando do que pessoas que são contra as bets”, disse. Lula defendeu que o país melhorou depois do fechamento das plataformas.
Ele também atacou diretamente quem quer a volta do mercado de apostas. “Poucas pessoas querem que as bets continuem, sobretudo aqueles que querem continuar ganhando dinheiro às custas do sofrimento das pessoas pobres, que, na perspectiva de ficar ricas, jogam o que não têm”, afirmou.
“A sociedade civil não pode permitir a continuidade das bets. Por isso, eu conto com vocês.”
Na publicação, o presidente afirmou que a discussão no Supremo diz respeito ao futuro da sociedade. Ele fez um chamado direto à mobilização: “É hora de ocupar esse debate, pressionar e deixar claro: a proteção do povo brasileiro precisa estar em primeiro lugar”.
Lula pede mobilização contra as bets no dia da audiência no STFVídeo: Reprodução/X O apelo aberto por pressão sobre um julgamento em andamento é um gesto pouco comum de um presidente.
Ele expõe o peso que o Planalto dá à manutenção da medida que fechou as bets. A audiência foi marcada pelo ministro Luiz Fux para esta terça, às 10h, na sala da Segunda Turma do STF.
O objetivo é debater as ações que tratam do mercado de apostas esportivas de quota fixa e loterias virtuais. No centro da discussão está a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no país e é questionada na ADI 8.027.
A Advocacia-Geral da União (AGU) foi ao Supremo pedir a manutenção integral da proibição e a realização da audiência. Do outro lado estão entidades do setor, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O recado de Lula tem endereço. A principal novidade em relação à audiência que Fux conduziu em novembro de 2024 é a presença de dez clubes e da CBF, que perderam patrocínios com a proibição.
Na semana passada, Fux também incluiu o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) na lista de convidados. A ofensiva do futebol reforçou a pressão sobre o relator.
Por isso, o Planalto entrou em campo nas redes justamente no dia do debate. A audiência não decide o caso, mas serve para municiar o relator antes do julgamento.
Em 2024, as informações colhidas em uma audiência anterior, com foco em temas como a ludopatia, foram consideradas no voto de Fux, que destacou os efeitos negativos associados às bets. Na prática, qualquer decisão cautelar fica para depois desta terça, com o setor parado.
Joice Gonçalves é repórter do ND Mais em Brasília, de onde acompanha de perto as movimentações do Congresso Nacional, os bastidores dos Três Poderes e os rumos das Eleições 2026. Possui sólida experiência política, tendo acompanhado ativamente os pleitos eleitorais, tanto municipais quanto gerais, nas edições de 2018, 2020 e 2022.
Além de escrever matérias sobre política, processo legislativo, sociedade e comportamento, produz conteúdos que explicam decisões do governo e seus impactos na vida do leitor. Formada em Comunicação pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), atua no jornalismo desde 2021 e tem experiência em grandes redações multimídia de TV e portais de notícia, com produção multiplataforma e projetos especiais que envolvem articulações políticas e o poder público.
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