Lula começa a montar novo governo e nomes de peso entram na disputa por ministérios; veja os cotados

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Após conquistar mais de 64 milhões de votos e garantir a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia um novo desafio: definir os nomes que vão compor os ministérios de seu quarto mandato, a partir de janeiro de 2027. A movimentação nos bastidores de Brasília já é intensa, uma vez que o petista precisa acomodar aliados políticos que contribuíram para sua vitória e, ao mesmo tempo, formar uma equipe capaz de atender às demandas do novo governo.

Um dos nomes ventilados é o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), apontado como favorito para assumir o Ministério da Fazenda. A avaliação de aliados é de que Fonteles reúne experiência política e capacidade técnica, tendo ocupado anteriormente o cargo de secretário da Fazenda do estado.

Caso aceite o convite, o vice-governador Washington Bandeira, também filiado ao PT, assumiria o comando do Executivo estadual. A chapa formada pelos dois foi a mais votada no primeiro turno das eleições deste ano.

Rafael Fonteles é governador do Piauí | Foto: Rogério Vieira / Valor Econômico Outro nome que ganhou força é o de Camilo Santana (PT), senador e ex-ministro da Educação, cotado para assumir a Casa Civil.

A pasta também chegou a ser associada ao nome de Fernando Haddad, mas a força política do ex-governador do Ceará tem pesado a seu favor nas articulações. Camilo Santana | Foto: Agência Brasil

O deputado federal André Janones (Avante-MG), reeleito neste ano, também aparece entre os possíveis integrantes do primeiro escalão. O parlamentar ganhou prestígio junto ao governo após comandar o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, que ultrapassou a marca de 10 milhões de inscritos.

Segundo aliados do presidente, Janones teria respaldo político para assumir a Secretaria de Comunicação Social (Secom) ou a Secretaria-Geral da Presidência, ambas vinculadas ao Palácio do Planalto. André Janones ganhou espaço no governo Lula | Foto: divulgação

Já João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife, que foi derrotado por Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo governo de Pernambuco, é cogitado para comandar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A eventual indicação teria também um significado político e familiar.

Seu pai, Eduardo Campos (PSB), morto em um acidente aéreo em 2014, ocupou a mesma pasta durante o primeiro mandato de Lula. João Campos foi prefeito de Recife e ganhou destaque no governo | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Nos bastidores, aliados também defendem a indicação de um nome ligado ao Centrão para a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo com o Congresso Nacional. Entre os cotados está Silvio Costa Filho (Republicanos), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos no atual mandato.

A escolha de um perfil com maior trânsito entre partidos de centro e direita é considerada estratégica diante da composição mais conservadora do Congresso eleito em 2026. Silvio Costa Filho é filiado ao Republicanos | Foto: divulgação

Segurança Pública pode ter nome ligado ao combate ao PCC Uma das novidades previstas para o próximo mandato é a criação do Ministério da Segurança Pública, que poderá ser comandado pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por sua atuação no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Lincoln Gakiya: promotor que sabe como combater o crime organizado | Foto: Reprodução Gakiya chegou a ser convidado pelo então presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) para assumir a mesma função em um eventual governo.

Sua trajetória no enfrentamento ao crime organizado lhe garantiu reconhecimento nacional e o colocou entre os nomes considerados para a nova estrutura ministerial. Outro fator que pode favorecer uma eventual indicação é a proximidade de sua aposentadoria no Ministério Público de São Paulo.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o promotor afirmou que ainda não havia recebido convite do governo, mas que estaria disposto a assumir a função. Camilo Santana também aparece entre os cotados para comandar a futura pasta.

Na avaliação de aliados, o ex-governador do Ceará possui um discurso firme na área de segurança pública e poderia ganhar maior projeção política à frente do novo ministério do que obteve durante sua passagem pelo Ministério da Educação. Até o momento, os nomes mencionados são tratados como possibilidades nas articulações políticas, sem confirmação oficial de indicações por parte do presidente Lula.

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