Lula aposta em ameaça de cortes em programas sociais em ofensiva contra Flávio

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Fonte da notícia: Valor Valor

Em meio ao freio de arrumação em sua estratégia de campanha para o segundo turno, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), irá explorar o temor de que as políticas sociais podem ser descontinuadas em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nova frente na corrida eleitoral. A estratégia começou a ser colocada em prática nesta terça-feira (6), quando o chefe do Executivo publicou um vídeo associando o chamado “tesouraço” à possibilidade de cortes em programas sociais.

“Cortes no Farmácia Popular. Minha Casa, Minha Vida. Mais Médicos. Combate ao câncer. Cisternas. Merenda escolar. Prevenção de desastres. Quando um Bolsonaro fala em ‘tesouraço’, o Brasil sabe exatamente quem paga a conta”, escreveu Lula nas redes sociais.

Na peça produzida pela campanha, a narradora afirma que, “quando um dos Bolsonaro fala em corte, é preciso relembrar para não repetir”. Em seguida, são exibidas reportagens publicadas durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, sobre reduções ou mudanças em programas e políticas públicas, como Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida, além de cortes de verbas para o combate ao câncer e veto a aumento da merenda escolar, entre outros exemplos.

“Se o pai fez isso, imagina o filho”, diz o vídeo. Na narração, Flávio é apresentado como alguém que pretende dar “continuidade” ao legado do pai.

A nova estratégia foi discutida ontem em reunião com membros da campanha para a reeleição do presidente, e a ideia é intensificá-la nos próximos 19 dias, até o segundo turno. A avaliação é de que, além de tentar mostrar “quem é Flávio”, a equipe petista precisa enfatizar os possíveis impactos concretos de uma eventual volta da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

“Vocês acham que o programa Mais Especialistas vai continuar no governo deles? Nem todo presidente gosta de aumentar salário mínimo acima da inflação”, durante o encontro de ontem.

A nova frente também busca recuperar eleitores que votaram em Lula em 2022, mas que, neste ano, optaram por Flávio. Esse movimento está entre as principais preocupações da campanha petista, que ainda busca explicações para a migração de votos. Apenas em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país, por exemplo, Lula perdeu mais de 3 milhões de votos no domingo (4) em comparação com o pleito anterior.

Na avaliação da cúpula petista, porém, a estratégia de tentar mostrar “quem é Flávio” tem uma espécie de limite. A abordagem vinha sendo adotada desde o início da campanha, com a exploração de declarações polêmicas, a associação do candidato ao pai e a exposição de episódios de corrupção nos quais ele esteve envolvido.

Integrantes da campanha admitem, no entanto, que esse plano não tem produzido o efeito esperado. A avaliação interna é de que Flávio tem resistido às investidas, em uma comparação feita pela própria equipe com o “teflon”, em referência à dificuldade de vincular a ele os efeitos negativos de episódios como as investigações envolvendo o Banco Master e o envio de emendas a deputados acusados de envolvimento no assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (Psol-RJ).

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