Lula antecipa Bolsa Família e eleitor receberá benefício com reajuste antes de ir às urnas

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

A menos de uma semana do segundo turno das eleições, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antecipou o calendário de pagamentos do Bolsa Família em outubro, de forma que todos os cadastrados receberão o benefício com reajuste de 15,04% antes de irem às urnas para decidir entre o petista e seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pelo calendário original, os pagamentos seriam desembolsados até o dia 30 deste mês. O reajuste foi anunciado por Lula no dia 17 de setembro, pouco mais de duas semanas antes da votação em primeiro turno — uma proximidade recorde com o pleito eleitoral —, e elevou o piso de 600 para 691 reais. Em sabatina na TV Globo na semana passada, o presidente disse que não sabia que o Bolsa Família não era reajustado havia quase quatro anos. O valor majorado passaria a valer na folha de outubro e os pagamentos com o reajuste começariam a ser feitos nesta segunda-feira, 19, mas de forma escalonada. Com a antecipação anunciada hoje, todos receberão o benefício até quarta-feira, 21.

A justificativa do governo para a antecipação na semana eleitoral é que a medida seria necessária para prevenir os efeitos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Brasil registrou 518 reconhecimentos federais de situação de emergência e estado de calamidade pública em agosto e setembro deste ano, mais que o dobro dos 253 registrados no mesmo período de 2025. A alta foi impulsionada principalmente pelas tempestades no Sul. Os reconhecimentos relacionados a chuvas, granizo, vendavais e inundações passaram de 81, em 2025, para 272 neste ano. No semiárido, os registros associados à estiagem e à seca subiram de 172 para 239, um aumento de 39%.

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O MDS também cita previsões para o último trimestre de 2026 que indicam menos chuva que a média histórica em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com possibilidade de agravamento da seca. No Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste, a previsão é de precipitações acima da média, o que pode elevar o risco de enchentes, especialmente na Região Sul. Em nota, o ministério afirmou que a unificação do calendário amplia a capacidade de as famílias se prepararem para a seca, a escassez hídrica, as inundações e eventuais interrupções no abastecimento. A pasta classificou a iniciativa como um instrumento de “proteção social adaptativa”, voltado também à prevenção do agravamento da insegurança alimentar e da perda dos meios de subsistência.

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Reajustes em anos eleitorais Em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o então Auxílio Brasil passou de 400 para 600 reais, uma alta de 50%. O aumento foi estabelecido pela Emenda Constitucional nº 123 e teve caráter temporário, com vigência de agosto a dezembro daquele ano. Antes disso, em 2014, durante o governo Dilma Rousseff, os benefícios do Bolsa Família foram reajustados em 10%. Em 2018, na gestão Michel Temer, o valor médio do benefício teve correção de 5,67%. Nenhum reajuste, no entanto, foi concedido em momento tão próximo às votações presidenciais. Quem vai receber o aumento? O Bolsa Família beneficia 49,5 milhões de pessoas em todo o país. Nesta segunda-feira, recebem os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 1. Na terça-feira, 20, será a vez daqueles com final 2. Na quarta-feira, os depósitos serão realizados para quem tem NIS terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a unificação também será aplicada às folhas de novembro e dezembro. Beneficiários que vivem em municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal recebem o pagamento já nesta segunda-feira, independentemente do final do NIS.

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