A atriz e produtora Luiza Mariani nem esperava revelar, quando esteve no programa "Sem censura", em dezembro de 2025, que havia recebido um diagnóstico de câncer. Na hora, ela decidiu falar sobre o assunto, e o momento acabou viralizando, sendo visto por milhões de pessoas nas redes sociais.
A partir da batalha contra a doença, a famosa investiu em construir um texto íntimo e pessoal sobre o que estava atravessando, por ordens de sua psicanalista. — Em algum momento, quando terminei de escrever, foi um jorro.
Achei o texto bem simpático e dividi com algumas pessoas em quem confio, que me disseram que ele tinha potência para virar outra coisa — diz Luiza, também contando: — Depois que fui ao programa, muitas mulheres começaram a me escrever. Talvez centenas.
A partir desse momento, entendi que tinha uma coisa muito importante nas mãos, algo poderoso para falar para mais pessoas. Assim nasceu o espetáculo "O que meu peito carrega sobre mim", que estreia na próxima quinta-feira (29), no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro.
O solo autoral da artista, dirigido por Bia Lessa, entrelaça a história coletiva das mulheres com seus corpos junto à experiência íntima vivida pela própria Luiza. Ela detalha:
— Eu tinha um peito grande, do qual sentia muita vergonha, e fiz uma redução. Depois, veio um peito que some após a maternidade, então coloco próteses.
Fui entendendo como tratei meu corpo dessa forma ao longo da vida, até chegar à mastectomia dupla, que é uma experiência muito radical, um assombro. De repente, tiro esse peito com o qual passei a vida inteira negociando.
E, curiosamente, ao longo do processo, fui entendendo que também estava me libertando dele. Hoje, o peito que posso ter é o que a vida me deu: a saúde.
É um peito que traz liberdade. A atriz Luiza Mariani
Divulgação/Marcelo Lince Hoje em dia, Luiza conta como lida com as transformações do próprio corpo:
— Negocio cada vez menos. Hoje, olho no espelho e não pergunto mais: “Está bonito?”.
Olho e digo: “É isso que eu sou”. Não tenho como escapar mais disso.
Então, preciso fazer as pazes com esse corpo, com esse peito, com essa história. Tem sido uma experiência radical e bonita ao mesmo tempo.
Em algum lugar, também é libertadora. Isso não significa que não exista negociação, porque estamos o tempo inteiro nos questionando.
Mas acho que hoje isso acontece de um lugar muito mais doce e suave. É isso que temos que fazer com a gente e com os outros.
Palco bem pequeno "Antes de chegar ao palco, meu espaço foi sendo reduzido cada vez mais.
Acho que a Bia Lessa queria provocar essa sensação de limite e questionar o que fazemos diante dele. Que tipo de liberdade também é possível? Qual é o tamanho que você ocupa quando a vida te pressiona? O que consegue construir de possível naquele espaço? Três meses depois, o palco parece gigantesco para mim.
Mas não foi confortável", revela a atriz. Convite da peça
"Há um convite para sermos mais carinhosos com nós mesmos e com os outros, com o nosso corpo e com o corpo alheio. Acho que, a partir da minha experiência, as pessoas podem sair percebendo que atravessar uma doença é um convite à vida.
Ela faz muitas perguntas, mas não dá respostas. Quero convidar as pessoas a parar para pensar", diz Luiza.
Campanha especial A artista finaliza: "Ainda lançamos a peça no Outubro Rosa, um momento em que podemos falar sobre prevenção, diagnóstico precoce, autocuidado, acolhimento e sobre olhar para o próprio corpo com mais carinho e afeto".
Serviço "O que meu peito carrega sobre mim": Quintas, sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18.
Até 20 de dezembro no Teatro Poeira (Rua São João Batista 104, Botafogo). Ingressos a R$ 50 (meia-entrada) na plataforma Sympla.
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