Lorna Shore cria obra que desafia os limites do ouvinte

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Maicon LeitePostado em 01 de novembro de 2026 Lançar o sucessor de um álbum que redefiniu os rumos de uma banda é sempre um terreno arriscado.

Com "Pain Remains" (2022), o Lorna Shore rompeu as barreiras do Deathcore, alcançando um público impensável para a música extrema. Três anos depois, o quinteto norte-americano retorna com "I Feel the Everblack Festering Within Me", provando que é sempre possível ir adiante.

Logo na primeira audição, fica claro que a parceria com o produtor Josh Schroeder, no estúdio Random Awesome!, encontrou sua melhor forma. São 66 minutos de uma verdadeira muralha sonora.

É comum que trabalhos com tantos elementos acabem embolados ou artificiais, mas o trabalho de Josh conseguiu equilibrar as coisas relativamente bem. As guitarras de Adam De Micco e Andrew O'Connor, junto ao baixo de Michael Yager, estão bem separadas na mixagem, abrindo espaço para as orquestrações, sem perder a agressividade.

A bateria de Austin Archey continua conduzindo a banda rumo ao extremismo de forma pujante. Will Ramos, por sua vez, é um vocalista que sabe interpretar muito bem as letras de acordo com o instrumental.

O foco neste novo álbum está na maneira como essas técnicas ajudam o vocalista a transmitir todo o desespero e angústia que brotam em cada frase. A abertura com "Prison of Flesh", por exemplo, mostra isso ao explorar o terror claustrofóbico da perda de memória e identidade e mostra os diversos elementos da banda ao longo de 7 minutos, enquanto "Oblivion" traz um pouco de caos com boas passagens mais cadenciadas e vocais alucinantes.

"Unbreakable" contrabalança a letra sobre superação com um instrumental pesado. "Glenwood", por outro lado, apresenta um dos momentos mais interessantes do disco ao apostar em uma atmosfera mais calma e melódica.

O contraste funciona justamente porque aparece em meio a tanta agressividade, deixando a faixa ainda mais sombria. É uma gota de calmaria em meio a tempestade, embora a velocidade se faça presente em determinadas passagens.

A faixa aborda a relação de Will Ramos com seu pai, o que a torna mais emotiva. Sinceramente, creio que que esta seja minha música preferida do disco.

O único "porém" do álbum, de uma forma geral, está na sua própria grandeza. Com quase 70 minutos de duração, o quinteto obviamente se mantém fiel à fórmula que ajudou a colocá-lo entre os grandes nomes do Deathcore.

O problema é que, depois de algumas faixas, já começamos a perceber para onde determinadas músicas estão caminhando. Individualmente, elas funcionam muito bem, mas a repetição dessa estrutura acaba diminuindo um pouco o impacto na segunda metade.

Meu saudoso amigo Marcos Garcia diria que falta um pouco de "memorabilidade". Mas, é um daqueles discos que, para mim, vai ganhando contornos diferentes conforme as audições aumentam.

Alguns elementos podem se tornar cansativos antes de chegar a finaleira com "Forevermore". Para ouvintes menos assíduos e acostumados à esta sonoridade, a audição pode gerar um certo cansaço.

É o típico "ame ou odeie". Ainda assim, a comparação com "Pain Remains" acaba sendo favorável ao novo trabalho.

O álbum de 2022 tinha o elemento da surpresa e foi fundamental para levar o Lorna Shore a um público muito maior. Agora, a banda parece estar mais à vontade para trilhar seu rumo.

Não existe a mesma sensação de descoberta, mas há mais segurança na maneira de trabalhar as guitarras, os vocais e, principalmente, as orquestrações. O grupo sabe exatamente o tipo de som que quer fazer.

Às vezes exagera? Sem dúvida. E bastante.

Mas também é difícil imaginar outro nome fazendo esse tipo de Deathcore sinfônico com a mesma pegada. No fim, "I Feel the Everblack Festering Within Me" é um disco que merece algumas audições e exige um pouco mais de tempo para ser absorvido.

Pelo menos para mim, ele não se revelou inteiro de primeira - e talvez esse seja justamente um dos motivos pelos quais continuo voltando a algumas faixas. É brutal, grandioso e tecnicamente impressionante, mas também mostra uma banda que conhece muito bem os limites da própria fórmula e sabe até onde pode esticá-la.

E, goste-se ou não do som dos caras, é difícil negar o tamanho que a banda alcançou dentro da música pesada atual. É o Metal se renovando e trazendo público novo para nossas fileiras.

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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