CDL e ACISMO divulgaram manifestações contra a exposição de estabelecimentos em São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense A circulação de uma lista que atribui posicionamentos políticos as empresas de São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, provocou manifestações de entidades empresariais e relatos de profissionais que afirmam ter sido afetados pela divulgação.
A divulgação com nomes de “empresários e profissionais de esquerda” que sugerem o boicote a estabelecimentos comerciais tomou grandes proporções após a confirmação da vitória de Lula (PT) do segundo turno das eleições. A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e a ACISMO (Associação Empresarial de São Miguel do Oeste) divulgaram notas públicas em defesa do respeito às diferenças políticas e contra a exposição de estabelecimentos em razão de supostas convicções de seus proprietários.
Em manifestação publicada na terça-feira (27), a CDL demonstrou preocupação com a circulação de uma lista de empresas supostamente classificadas entre direita e esquerda. A entidade afirmou que esse tipo de conteúdo pode estimular a discriminação e causar constrangimentos ou prejuízos aos empreendedores.
A entidade ressaltou que não possui filiação política, partidária ou religiosa e que sua atuação é voltada à defesa dos interesses do comércio, da livre iniciativa e da livre concorrência. “A liberdade de pensamento e de posicionamento político é um direito de cada cidadão e não deve servir de instrumento para constranger empreendedores ou comprometer suas atividades comerciais”, destacou a CDL na nota.
A ACISMO também se posicionou sobre o caso. Na nota oficial, a entidade defendeu a liberdade de opinião e o direito de cada cidadão exercer suas escolhas políticas de forma livre e consciente.
A associação manifestou preocupação com iniciativas que possam estimular a exposição indevida, a intimidação ou a perseguição de empresários por suas convicções pessoais. “A liberdade de escolha de cada consumidor deve ser respeitada, assim como o direito de cada empresário exercer sua atividade sem ameaças, constrangimentos ou ataques pessoais”, afirmou a ACISMO.
A entidade também ressaltou que São Miguel do Oeste é construída pelo trabalho de pessoas que empreendem, geram empregos e movimentam a economia local. Segundo a associação, o compromisso dos empresários com o município não deve ser reduzido à preferência política atribuída a alguém.
A nota foi assinada pelo presidente da ACISMO, Antônio Henrique Daltoé, que defendeu uma cidade em que o diálogo prevaleça sobre a hostilidade e o respeito esteja acima das divisões partidárias. “Não precisamos pensar igual para construir a mesma cidade.
A liberdade de pensar diferente não pode ser motivo de perseguição”, destacou a entidade. A repercussão também chegou aos profissionais que afirmam ter sido citados na relação.
A cirurgiã-dentista Emmanuelle Capra, agradeceu à ACISMO pelo posicionamento e relatou que seu consultório foi incluído em uma lista de estabelecimentos que deveriam ser boicotados por supostas preferências políticas. Em comentário sobre o caso, ela defendeu o respeito aos profissionais e destacou sua trajetória na odontologia.
“Exerço a odontologia há 21 anos com responsabilidade e dedicação, e seguirei exercendo-a”, afirmou. A profissional também declarou que não admite intolerância, desrespeito ou segregação no consultório e que todas as pessoas que procuram seus serviços são valorizadas e respeitadas.
O profissional Emyr Stringhini Junior, que atua nas áreas de odontopediatria e ortodontia, também comentou a manifestação da entidade empresarial. Ele defendeu que eventuais responsáveis pela divulgação de informações que considera falsas sejam responsabilizados judicialmente.
“É necessário que os que fizeram, instigaram e compartilharam estas inverdades sejam penalizados judicialmente”, escreveu. Nas duas manifestações, CDL e ACISMO ressaltaram a importância de preservar a liberdade de pensamento e a convivência democrática, independentemente das posições políticas de empresários e consumidores.
A CDL alertou para os possíveis prejuízos decorrentes da exposição indevida de estabelecimentos e pediu responsabilidade no compartilhamento de informações na internet. Já a ACISMO reforçou seu caráter apartidário e o compromisso com o desenvolvimento econômico, a livre iniciativa e a representatividade empresarial.
Até a publicação desta matéria, não havia informações suficientes para confirmar quem elaborou a lista, quantos estabelecimentos foram incluídos ou quais critérios foram utilizados para classificá-los conforme suas supostas posições políticas. Marci Páz é editora-chefe do ND Mais na redação de Chapecó, cobrindo temas ligados ao desenvolvimento regional, como infraestrutura, turismo e transformações que impactam a região Oeste de Santa Catarina.
Natural de Chapecó, é formada pela Unochapecó (Universidade Comunitária da Região de Chapecó) e atua no Jornalismo desde 2006. Com experiência em rádio, jornal e assessoria de imprensa, traz um olhar atualizado sobre o que é relevante em cidades como Chapecó, São Miguel do Oeste, Concórdia, Xanxerê, Joaçaba e mais, com destaque para o cotidiano, segurança e trânsito.
Foi reconhecida com menção honrosa no Prêmio Fiesc de Jornalismo, em 2010, e mantém uma conexão direta com as tradições, paisagens e modos de viver que moldam o cenário regional. Possui vasta experiência cobrindo eleições desde 2006, atuando como repórter de rádio e editora-chefe em Chapecó durante pleitos municipais e gerais.
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