Líder do PSD no Senado não vê espaço para pautas prioritárias do governo serem travadas no Congresso
O líder do PSD no Senado, Omar Aziz (AM), avaliou em entrevista ao GLOBO que a agenda principal que o governo tem no Congresso deve andar no Congresso, apesar da derrota na indicação do ministro Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Para ele, matérias como a redução da jornada de trabalho (com fim da escala 6X1), o pacote de redução no endividamento previsto para ser enviado na próxima segunda-feira e o projeto de lei que permite o uso da receita extra do petróleo para desonerar os combustíveis são temas com impacto direto na vida da população e os parlamentares, inclusive os presidentes do Senado e da Câmara, não terão como travar a discussão.
— A pauta que acaba com a [escala] 6 X,1, quem quiser se indispor com a grande maioria da população brasileira vai votar contra. Então, não é uma pauta que dá para segurar, nem no Senado, nem na Câmara. A proposta é do Lula, mas a pauta é da sociedade brasileira — disse.— Outra proposta é essa que o presidente falou [em pronunciamento] em relação ao endividamento. É muito importante ver que, quem está devendo, se tiver que se regularizar agora, vai ter que parar de jogar [em bets], senão vai ficar endividado — acrescentou.
Segundo Aziz, é obrigação dos congressistas debater esses temas, independentemente das disputas políticas, e isso não seria um favor a Lula.
— Não tem [muito espaço para travar], porque nós vamos cobrar publicamente. Como é que tu vai travar um negócio desses? — questionou.
O parlamentar foi na mesma direção ao comentar sobre o projeto que dá flexibilidade ao governo para desonerar tributos incidentes sobre combustíveis, que é prioridade da equipe econômica.
— É muito difícil ficar parado. É muito difícil engavetar isso. Você está falando de uma situação que preocupa a economia como um todo [...] Hoje, o mundo vive uma situação atípica. Felizmente, o Brasil é um grande produtor de petróleo ainda. Mas tem muitos insumos que nós compramos para o agronegócio, e isso afeta empresário e o trabalhador comum, pela inflação. — comentou, lembrando que não era aliado de Bolsonaro em 2022 e também votou favoravelmente a medidas que reduziam os custos dos combustíveis naquele ano.
Integrante de um dos principais partidos do Congresso e do grupo aliado do governo, o senador avalia que a decisão do Senado sobre Messias deve ser respeitada. Segundo ele, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) fez uma “belíssima sabatina” para o STF, mas o embate no Senado não foi de mérito e sim ideológico, resultado dos “extremismos” e da falta de uma maioria concreta do governo no Senado e de uma oposição com um objetivo de desgastar Lula mirando as eleições.
Ele lembra que o Senado aprovou outros nomes do governo, como os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que na segunda vez já teve uma votação mais apertada, mesmo com apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
— Isso pra mim é posicionamento político mesmo. Às vezes é o oportunismo do momento. [...] A gente vive outro momento político, é isso que tem que analisar — completou.— Então, é você fechar essa página, tocar para frente e tentar reconstruir uma base — disse.
Aziz disse acreditar que o presidente lidará com a crise pensando em manter a estabilidade política do país e buscando entendimento. Segundo ele, Lula não costuma reagir com o fígado. O senador lembra que o presidente antes de ser eleito perdeu três eleições, posteriormente foi preso e não agitou sua base para enfrentar a decisão e depois voltou a disputar eleição e ganhou.
— O presidente Lula tem um histórico, vindo do movimento sindical, de ter paciência para construir acordos em ambientes de grande divergência. [...]Quem quer fazer guerra não pensa no país — afirmou. — Lula é muito experiente, é um homem com [a lógica] “isso é passado, vamos pra frente”. Não tenho dúvida [que ele vai seguir essa lógica] — completou.
