Líder da oposição na Venezuela avalia retorno ao país

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Fonte da notícia: Valor Valor

A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, enfrenta um dilema crescente sobre quando retornar ao país para mobilizar seus apoiadores, em meio à resistência do governo do presidente Donald Trump a sua volta, disseram quatro fontes da oposição e dois analistas políticos. Leia também: Reino Unido eleva nível das relações diplomáticas com a Venezuela Equipamentos de petróleo usados nos EUA ganham novo destino na Venezuela Pacto entre EUA e Caracas replica exploração do século 19, diz Michael Shifter

Machado deixou o país no fim do ano passado para receber o Prêmio Nobel da Paz, depois de passar grande parte do período escondida desde as contestadas eleições de 2024. Ela prometeu repetidamente retornar, inclusive após os Estados Unidos retirarem o presidente Nicolás Maduro do poder em janeiro e depois dos dois terremotos ocorridos em junho. Autoridades americanas, porém, pediram reservadamente que ela adiasse o retorno após os tremores.

A questão do retorno de Machado pode remodelar o cenário político da Venezuela, onde negociações apoiadas pelos EUA para reformular o sistema político antes de futuras eleições não incluem seu movimento. Embora tenha o maior índice de aprovação entre as figuras políticas ligadas à Venezuela, o apoio da política caiu no mês passado.

Quatro fontes da oposição disseram que Machado retornará, mas que nenhuma data foi definida. Uma delas acrescentou que a líder, atualmente no Panamá, planeja viajar antes para os EUA, embora ainda não haja um calendário estabelecido.

“Ela vai voltar. Vai aos Estados Unidos, mas não para pedir permissão”, disse uma fonte próxima a Machado, acrescentando que, ao retornar, a prioridade da líder será pressionar pela realização de eleições justas.

Machado buscou cultivar Trump como aliado muito antes da retirada de Maduro do poder. Desde então, porém, o presidente americano manifestou repetidamente apoio à presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, e elogiou os acordos no setor de petróleo firmados pelo governo dos EUA e por grandes empresas de energia. O presidente dos EUA, Donald Trump, posa com a medalha do Nobel da Paz e a laureada pela distinção em 2025, a venezuelana María Corina Machado, na Casa Branca (Washington) Daniel Torok/The White House/Via Reuters

Cedo demais para eleições, diz Trump Trump afirmou neste mês que é cedo demais para considerar a realização de eleições democráticas.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, aliado de longa data de Machado, afirmou em uma entrevista em setembro que, embora ela tivesse todo o direito de retornar, desempenhava um papel importante na organização da diáspora venezuelana.

Os EUA temem que Machado possa atrapalhar seus planos para a transição caso retorne e mobilize seus apoiadores para pressionar pela saída do poder de autoridades remanescentes da era Maduro, segundo um analista político, que pediu para não ser identificado. Questionado sobre o momento do retorno de Machado, um porta-voz do Departamento de Estado não quis comentar as conversas privadas.

As negociações apoiadas pelos EUA entre uma ala da oposição e o governo interino, destinadas a reformular o sistema político do país antes de futuras eleições, devem ser retomadas nesta semana.

Embora outra fonte próxima a Machado tenha dito que ela propôs liderar pessoalmente as negociações, os Estados Unidos optaram por apoiar o líder da legislatura de 2015, que Washington reconhece como democraticamente eleita. Até agora, as conversas não incluem o movimento político de Machado.

Machado não respondeu a um pedido de comentário sobre seu possível retorno, sua relação com os Estados Unidos ou as negociações.

O Ministério da Informação da Venezuela não respondeu a um pedido de comentário. Nobel da Paz - FILE - Opposition leader Maria Corina Machado waves from atop a truck during the closing election campaign rally for presidential candidate Edmundo Gonzalez in Caracas, Venezuela, Thursday, July 25, 2024. (AP Photo/Matias Delacroix, File) AP Photo/Matias Delacroix

Popularidade de Machado cai Machado reuniu grandes multidões durante a campanha de 2024, quando percorreu o país defendendo um retorno à democracia.

A coalizão de oposição liderada por ela, que publicou na internet a maioria das atas de votação de cada seção eleitoral, afirma ter conquistado 67% dos votos na eleição presidencial. Embora observadores internacionais tenham questionado os resultados oficiais, que apontaram a vitória de Maduro, o governo nunca publicou resultados detalhados, e a mais alta corte do país confirmou a vitória de Maduro.

Machado tem o maior índice de aprovação entre 15 figuras políticas ligadas à Venezuela — entre elas Trump e Rodríguez — na pesquisa mensal Latam Pulse, da AtlasIntel e da Bloomberg. Sua aprovação, porém, caiu para 53% em agosto, depois de atingir 72% em julho.

“O impulso positivo que María Corina recebeu depois do terremoto se dissipou em meio à crescente incerteza. As mudanças que ela prometeu, ao menos no imaginário popular, parecem cada vez mais distantes”, afirmou no X Andrei Roman, CEO da AtlasIntel. “Mesmo que não seja culpa dela, a situação atual está afetando sua credibilidade e sua capacidade de construir o futuro que a maioria dos venezuelanos imaginava após a retirada de Maduro do poder.”

Machado pagará um preço político por ter afirmado que retornaria à Venezuela depois dos terremotos e não ter feito isso, disse uma figura da oposição que não integra sua ala, acrescentando que a relação dela com Washington é desconfortável. “Não é uma situação fácil.”

Os terremotos deixaram pelo menos 6.500 mortos, e milhares de pessoas continuam desaparecidas.

Apesar da retirada de Maduro do poder e dos acordos de Trump no setor de petróleo, os venezuelanos ainda enfrentam serviços públicos irregulares e um sistema de saúde precário, afirmou Gabriel Hernández, metalúrgico de 54 anos de Maracaibo e organizador local da oposição, enquanto esperava um ônibus.

Segundo ele, as pessoas estariam dispostas a ir às ruas para apoiar Machado. “Estamos todos esperando María Corina voltar. Precisamos que a pessoa em quem depositamos nossa confiança assuma as rédeas desta situação de enorme incerteza, e isso só pode acontecer com a presença dela aqui e, depois, com eleições”, disse Hernández. “Sem dúvida, iríamos às ruas com ela e garantiríamos que se tornasse a candidata, a vencedora e a presidente deste país.”

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