Libertado após 41 anos: como falhas policiais e acusações de má conduta levaram homem ao corredor da morte

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Douglas Stewart Carter, de 71 anos, passou 41 anos preso nos Estados Unidos, grande parte deles no corredor da morte, condenado pelo assassinato de Eva Olesen, em Utah. Na noite de segunda-feira, ele deixou a prisão sob fiança depois que um novo exame de DNA não o identificou como possível origem de material genético encontrado na cena do crime. O caso ainda não foi encerrado: Carter deverá ser submetido a um novo julgamento, embora os promotores tenham desistido de pedir novamente a pena de morte. Furacão Polo toca o solo no México com ventos fortes, cortes de energia e risco de inundações México faz últimos esforços para tirar moradores de áreas de risco antes da chegada do furacão Polo Carter foi condenado em 1985 pela morte de Olesen, tia do então chefe de polícia de Provo. A mulher foi encontrada morta em casa, parcialmente despida, com as mãos amarradas nas costas. Ela havia sido esfaqueada e baleada. Na época, não havia evidência física que ligasse Carter diretamente ao crime. A condenação se apoiou principalmente em uma confissão assinada por ele e no depoimento de duas testemunhas que afirmaram que o homem havia se gabado de ter cometido o assassinato. O novo exame, concluído em setembro, analisou material recolhido na cena do crime e excluiu Carter como possível fonte de sangue encontrado em uma maçaneta. O material genético retirado do cabo da faca usada no assassinato também não correspondeu a ele. Para o juiz Derek Pullan, o resultado enfraquece a acusação, embora não impeça que um júri, diante das demais evidências, ainda conclua que Carter cometeu o crime. Confissão e testemunhas Carter foi preso em junho de 1985, em Nashville, no Tennessee. Ele havia deixado Utah dois meses antes, depois de acreditar que era suspeito de outro caso de agressão. Durante um interrogatório conduzido por um detetive de Provo, assinou uma confissão do assassinato de Olesen. Carter posteriormente afirmou que confessou falsamente depois de ser ameaçado repetidamente pelos policiais. A acusação também apresentou como testemunhas Epifanio e Lucia Tovar, um casal que disse ter ouvido Carter admitir o crime. rthryrtyrtyrt Décadas depois, porém, os dois voltaram atrás. Localizados no México em 2011, afirmaram que policiais haviam oferecido dinheiro e presentes para que incriminassem Carter. Segundo declarações prestadas pelo casal, os agentes também os ameaçaram com deportação e disseram que poderiam deportar o filho de um deles caso não mantivessem as acusações. Suprema Corte apontou má conduta As alegações contra os investigadores se tornaram parte central da batalha judicial de Carter. Em maio de 2025, a Suprema Corte de Utah confirmou a decisão que determinou um novo julgamento. A corte concluiu que houve violações constitucionais, incluindo ocultação de provas favoráveis à defesa, incentivo a falso testemunho e falha deliberada em corrigir declarações falsas apresentadas no processo. A decisão descreveu múltiplos episódios de má conduta envolvendo policiais e o promotor responsável pela acusação. Segundo a corte, essas violações prejudicaram Carter tanto na fase em que sua culpa foi determinada quanto no momento em que recebeu a sentença de morte. Com a decisão, a condenação original deixou de valer e o caso passou a caminhar para um novo julgamento. Outros suspeitos e evidências questionadas A defesa de Carter também sustenta que a investigação deixou de considerar adequadamente outras possibilidades. Testemunhas teriam relatado ter visto um homem branco deixando a casa de Olesen no dia do assassinato. Os advogados também afirmam que evidências potencialmente relacionadas a outros suspeitos foram ocultadas. Entre os nomes citados está o marido da vítima, Orla Olesen, que encontrou o corpo e morreu em 2009. Segundo a defesa, investigadores chegaram a considerar a possibilidade de acusá-lo, mas a hipótese não avançou. A ausência de material genético de Carter nas evidências agora analisadas acrescentou um novo elemento à contestação da condenação. Ainda assim, a promotoria mantém a acusação de homicídio qualificado enquanto reavalia as provas restantes. Liberdade sob fiança Após os novos resultados, o juiz Derek Pullan determinou na segunda-feira a libertação de Carter sob fiança, apesar da oposição da família de Eva Olesen. Ele deverá usar um dispositivo de monitoramento por GPS e não poderá entrar em contato com familiares da vítima. A previsão é que fique hospedado em um hotel próximo ao filho, Tyler Anger. Durante a audiência, Theresa Olesen, nora da vítima, disse que a família tinha “sérias preocupações” com a decisão. Segundo ela, o fato de o DNA não corresponder ao de Carter não prova, por si só, que ele não estivesse na cena do crime. O novo julgamento continua sendo considerado para o próximo ano e poderá durar cerca de dois meses. A promotoria, no entanto, já retirou o pedido de pena de morte. Carter, que passou mais de quatro décadas encarcerado, segue respondendo à acusação enquanto as autoridades avaliam as evidências restantes.

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