O sumiço das vigas do Elevado da Perimetral, furtadas em 2013, voltou à tona no debate da TV Globo entre os candidatos ao Governo do Rio, na noite de terça-feira (29). Anthony Garotinho (Republicanos) questionou Eduardo Paes (PSD) sobre o caso. Ao longo do embate, Garotinho declarou que as vigas foram parar no Catar, em uma operação intermediada, segundo ele, por pessoas ligadas a Paes, e disse que o ex-prefeito deveria estar preso por ter vendido patrimônio da Prefeitura.
Paes, então, pediu direito de resposta. Ele afirmou que as peças estavam sob responsabilidade de uma empresa privada, que "quatro ou cinco vigas foram roubadas e o valor foi reembolsado à Prefeitura". Veja as notas dos colunistas do GLOBO: Quem ganhou o debate da Globo para governador de São Paulo? André Marinho no debate da Globo: entenda por que candidato do Novo está presente O furto aconteceu durante o desmonte da Perimetral, parte do projeto de revitalização da Zona Portuária da época. Cinco vigas e parte de uma sexta estrutura de aço, cada uma com duas toneladas, desapareceram de um depósito no Caju, na Zona Norte do Rio, onde estavam sob os cuidados da empresa terceirizada responsável pelas obras. Até hoje, porém, não se sabe como o crime foi cometido. Um laudo de 2014 avaliou as peças levadas em cerca de R$ 60 mil. Em um vídeo publicado no YouTube há três anos, Paes exibiu o ofício em que consta que a empresa terceirizada ressarciu a Prefeitura pelas vigas furtadas. O elevado tinha mil vigas no total. Parte delas foi reaproveitada pela Prefeitura em outras obras, como piscinões contra enchentes, e outra parte foi leiloada. Em um desses leilões, 384 estruturas foram vendidas por cerca de R$ 4,7 milhões.
A demolição da Perimetral começou a ser debatida com mais força na gestão do ex-prefeito Luiz Paulo Conde (1997-2000), mas esbarrava na falta de recursos. A solução veio em 2010, quando parte do dinheiro da parceria público-privada do Porto Maravilha passou a custear a obra.
O projeto inicial previa derrubar só um trecho, substituído por um mergulhão, mas em 2011 a Prefeitura anunciou a retirada de toda a estrutura. As implosões e desmontes foram feitos em etapas, e o último trecho, de 650 metros entre o estacionamento da Rodoviária Novo Rio e a Avenida Professor Pereira Reis, foi removido em julho de 2014.
O Globo