Líbano registra 634 mortos e mais de 800 mil deslocados em 10 dias de combates entre Israel e Hezbollah
O governo do Líbano informou nesta quarta-feira que o número de mortos em 10 dias de combates entre Israel e o Hezbollah durante a guerra no Oriente Médio chegou a 634, enquanto mais de 800 mil pessoas foram registradas como deslocadas. A escalada militar tem ampliado o impacto do conflito sobre civis.
'Ponto de virada': Líbano avalia desarmar o Hezbollah em meio à escalada com Israel
'Estratégia do Mosaico': saiba como funciona a guerra assimétrica do Irã contra EUA e Israel e seus potenciais erros de cálculo
Em números atualizados, o ministro da Saúde, Rakan Nassereddine, detalhou em entrevista coletiva que entre os mortos estão 91 crianças. Ele ainda acrescentou que mais de 1.500 pessoas ficaram feridas.
A ministra dos Assuntos Sociais, Haneen Sayed, afirmou que cerca de 816 mil deslocados já registraram seus nomes em um site ligado ao ministério, incluindo aproximadamente 126 mil pessoas alojadas em abrigos coletivos.
Moradores fogem do sul do Líbano após promessa israelense de ampliar ataques
Nesta semana, em meio ao agravamento da crise, o presidente libanês, Joseph Aoun, fez críticas incomumente duras ao Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã. Em comunicado divulgado após conversar com autoridades europeias, ele afirmou que o movimento pró-iraniano foi responsável por desencadear a atual escalada com Israel ao lançar uma bateria de foguetes na semana passada.
Aoun ainda acrescentou que o país se vê preso entre uma ofensiva israelense que “não demonstra respeito pelas leis da guerra” e “um grupo armado que opera fora da lei no Líbano e que não tem consideração pelos interesses do país nem pela vida de seu povo”.
Escalada militar israelense
A escalada começou na semana passada, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em retaliação à morte do aiatolá Ali Khamenei, atingido por Israel nos ataques iniciais da guerra travada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã.
Vídeo: Israel visa economia do Irã com ataques à infraestrutura petrolífera; Trump cogita envio de tropas para confiscar urânio
O deslocamento em massa reflete o agravamento dos confrontos ao longo da fronteira sul do país, onde bombardeios e operações militares têm forçado milhares de famílias a abandonar suas casas em busca de áreas mais seguras.
Moradores deslocados que fugiram dos ataques aéreos israelenses nos subúrbios ao sul de Beirute sentam-se ao longo da orla marítima da capital libanesa em 6 de março de 2026
JOSEPH EID / AFP
A crise também tem atingido mulheres grávidas que tentam fugir dos bombardeios. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), há relatos de mulheres dando à luz nas ruas de Beirute após ficarem presas em congestionamentos enquanto tentavam chegar a locais mais seguros.
— As mulheres não deixam de dar à luz só porque há um conflito. Nosso trabalho é garantir que elas possam fazer isso com segurança — afirmou à CNN a porta-voz da agência, Anandita Philipose.
Initial plugin text
A deterioração da situação humanitária ocorre em meio à intensificação das operações militares de Israel contra o Hezbollah no Líbano, ampliando o risco de um conflito regional mais amplo.
As forças israelenses avançaram no sul do Líbano na segunda-feira, realizando incursões em novos territórios como parte do esforço declarado de ampliar uma zona de amortecimento sob controle militar enquanto intensificam a campanha contra o Hezbollah.
Caças israelenses também bombardearam os subúrbios ao sul de Beirute, provocando grandes explosões que ecoaram por diferentes áreas da cidade.
'Somos nós que estamos pagando o preço da guerra': civis relatam medo, fuga às pressas e vidas interrompidas no Oriente Médio
Segundo o Exército israelense, tropas terrestres iniciaram incursões em áreas próximas à fronteira após avançarem nos últimos dias na região e tomarem novas posições dentro do território libanês.
(Com AFP)
