Amor nos tempos de magma: arqueólogos encontram declarações de amor nas paredes de Pompeia

 

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Um pequeno corredor com uma função: ligar os dois teatros da cidade de Pompeia, mítica por ter sido destruída pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. Com cerca de 27 metros de comprimento e três metros de largura, o corredor deve ter sido construído, segundo estimativas, entre 80 e 70 a.C.

"Corredor do Teatro", como ficou conhecido, não era só um espaço de passagem, mas de socialização e conversa

Reprodução/Pompeii Archaeological Park

Não era só, no entanto, uma ligação entre dois palcos em que artistas circulavam: o “corredor do teatro”, como ficou conhecido, também era “um local para passar, andar, conversar, passar o tempo e socializar”, tendo, segundo alguns arqueólogos, um teto para fugir do calor e da chuva.

Pesquisadores tirando fotos com tecnologia RTI

Reprodução/Pompeii Archaeological Park

E como todos que passam por pequenos corredores em cidades podem, até hoje, imaginar, as paredes dessa longa e fina passagem também estão lotadas de "pichações". São 200 já confirmadas; e, agora, pesquisadores publicaram mais 79 inscrições: 32 textos e 47 figuras que envolvem temas como sexo, amor, caricaturas e desenhos de animais.

As imagens das paredes foram feitas com uma tecnologia conhecida como Reflectance Transformation Imagin, ou RTI, que envolve a junção de diversas imagens tiradas do mesmo local com diferentes fontes de luz, possibilitando a criação de uma imagem interativa.

À esquerda, exemplo de modelo de RTI. À direita, modelo utilizado em Pompeia

Reprodução/Pompeii Archaeological Park

A maioria das pichações estava em latim ou grego, mas pesquisadores ficaram surpresos, especialmente, com inscrições em safaítico, uma língua semítica, isto é, do Nordeste da região afro-asiática, nunca antes vista no Ocidente Antigo.

De acordo com o estudo, os autores dessas inscrições eram, provavelmente, legionários ou auxiliares da Terceira Legião Gaulesa, parte do exército imperial romano criado por Júlio Cesar.

A olho nu: onde está a "pichação" de Erato?

Reprodução/Pompeii Archaeological Park

Entre as inscrições, os arqueólogos destacam uma: um grafite de 25cm de comprimento e 3,5cm de altura: Erato Amat (traduzindo, “Erato ama”).

Pichação sem fim: quem Erato ama?

Reprodução/Pompeii Archaeological Park

Infelizmente, não é possível saber a quem Erato, um nome dado a mulheres escravizadas e libertas, dedicava seu amor: o pedaço que completava a inscrição há muito se perdeu.

Desenho de gladiadores oferecem uma "preciosa visão dentro do imaginário dos pompeianos"

Reprodução/Pompeii Archaeological Park

Perto dessa imagem, arqueólogos destacam o desenho de dois gladiadores lutando. Com cerca de 10cm, a inscrição é reconhecida por sua "notável vivacidade, com linhas flexíveis e certo domínio na expressão do movimento, em uma composição geral que parece ‘girar’ em torno dos dois pés voltados um para o outro e dos dois escudos se chocando".

Notam os arqueólogos que desenhos como esse, que não são feitos por desenhistas profissionais, nem pintores e mosaicistas, oferecem uma “preciosa visão do imaginário de pompeianos comuns”.