Libaneses lamentam morte de 8 membros da mesma família, incluindo bebê de 6 meses, em ataque de Israel: 'Todos se foram'

 

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Centenas de pessoas se reuniram no domingo para lamentar a morte de ao menos oito integrantes de uma família libanesa deslocada, mortos no dia anterior, quando um ataque aéreo israelense atingiu o prédio onde estavam abrigados, sem qualquer aviso prévio. O Exército de Israel havia emitido alertas de evacuação para várias cidades e vilarejos no sul do Líbano no sábado, mas a cidade de Saksakiyeh, onde a família foi morta, não estava entre eles.

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Em meio ao cessar-fogo: Exército israelense emite alerta de evacuação para aldeias no sul do Líbano

Uma mulher libanesa chora pelo corpo de uma das oito pessoas mortas no dia anterior em um ataque aéreo israelense na vila de Jibshit, no sul do Líbano, durante seu funeral na cidade de Sidon, em 10 de maio de 2026

MAHMOUD ZAYYAT / AFP

As Forças Armadas de Israel afirmaram no sábado à noite que tinham como alvo militantes do Hezbollah, grupo armado libanês apoiado pelo Irã, que operavam a partir de um prédio usado para fins militares na região, mas não forneceram mais detalhes. O Exército acrescentou que estava ciente dos relatos de vítimas civis na estrutura atingida e que o caso estava sob análise.

Na cidade portuária de Sidon, no domingo, pessoas vestidas de preto se reuniram em um cemitério para rezar pelos mortos da família. Entre as vítimas estavam um casal, três de seus filhos, um neto de 6 meses, o irmão do pai e uma avó, segundo parentes presentes no local.

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Alguns choravam e se agarravam aos corpos, cobertos por tecidos verdes e espalhados com flores. Eles beijavam e abraçavam os mortos antes que equipes de emergência levassem os corpos para sepultamento em sua cidade natal, Jibchit, que também havia sido alvo de ataques mais cedo no domingo, segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano.

— Eles se foram. Todos se foram — gritavam alguns parentes enquanto as ambulâncias começavam a deixar o local.

Mulheres libanesas choram pelos corpos de oito pessoas mortas no dia anterior em um ataque aéreo israelense na vila de Jibshit, no sul do Líbano, durante seu funeral na cidade de Sidon, em 10 de maio de 2026

MAHMOUD ZAYYAT / AFP

Uma trégua alcançada há cerca de um mês interrompeu os confrontos entre Israel e o Hezbollah. Desde então, os dois lados trocaram ataques quase diariamente. Uma nova escalada nos últimos dias aumentou os temores de que o cessar-fogo esteja à beira do colapso total.

Entenda: ataque de Israel no Líbano põe em xeque cessar-fogo

Israel começou a intensificar sua campanha de bombardeios no Líbano na quinta-feira com um ataque ao bairro de Dahiya, nos arredores ao sul da capital, Beirute, reduto do Hezbollah. Israel afirmou ter matado um comandante sênior do grupo nesse ataque.

O Hezbollah também ampliou seus ataques, dizendo que seus combatentes no sul do Líbano atingiram soldados e equipamentos israelenses nos últimos dias com disparos de artilharia, drones e uma barragem de foguetes. O sul do Líbano abriga grande parte da população muçulmana xiita do país, da qual o Hezbollah obtém boa parte de seu apoio.

O Hezbollah tem utilizado cada vez mais drones de fibra óptica, mais difíceis de detectar ou bloquear porque dependem de cabos físicos, e não de sinais de rádio. Capazes de voar baixo e rápido, eles foram amplamente utilizados na guerra na Ucrânia.

Escalada: Bombardeios israelenses deixam 13 mortos no sul do Líbano

Mais de 450 pessoas foram mortas no Líbano desde o anúncio do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde libanês.

Homens e mulheres libaneses lamentam pelas oito pessoas mortas no dia anterior em um ataque aéreo israelense na vila de Jibshit, no sul do Líbano, durante seu funeral na cidade de Sidon, em 10 de maio de 2026

MAHMOUD ZAYYAT / AFP

Israel afirmou que 18 militares e dois civis morreram em decorrência dos ataques do Hezbollah desde o início da guerra, no começo de março.

No domingo, ataques aéreos israelenses contra a cidade de Bedias mataram ao menos uma pessoa e feriram outras 13, incluindo seis crianças, informou a agência estatal de notícias. Dois paramédicos também morreram e cinco ficaram feridos em ataques israelenses contra duas cidades do sul do Líbano, segundo a agência estatal, citando o Ministério da Saúde. O Exército israelense não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os ataques que mataram os paramédicos.

Os ataques israelenses nos últimos dias passaram a atingir áreas mais ao norte da fronteira entre Israel e Líbano.

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No sábado, três pessoas morreram em bombardeios contra uma estrada que leva à região de Chouf, no Líbano, segundo a agência estatal de notícias. O Exército israelense afirmou no domingo ter atingido cerca de 70 alvos terroristas e matado mais de 30 militantes do Hezbollah na última semana.

A família morta no sábado era originalmente de Jibchit, outra cidade do sul do país que estava sob alertas de evacuação israelenses havia meses. Parentes disseram que a família permaneceu no local porque possuía terras agrícolas ali e só deixou a cidade há cerca de uma semana, quando se mudou para Saksakiyeh, mais ao norte e mais distante da fronteira israelense.

Jaafar Bahja, de 25 anos, parente da família, contou que começou a ligar e enviar mensagens repetidamente aos familiares no sábado, após ouvir sobre os ataques em Saksakiyeh. No funeral, ele mostrava no celular as chamadas e mensagens sem resposta.

— Não consigo acreditar que eles morreram — disse ele, enquanto assistia a vídeos da família reunida em casa, em Jibchit, tomando chá e fumando narguilé.