Lewandowski se reúne com Lula e bate o martelo sobre saída do governo
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir sua saída. Segundo dois auxiliares do petista, ele deve deixar o cargo ainda nesta semana. A auxiliares, o ministro já havia dito que sua intenção era ficar apenas até sexta-feira, dia 9 de janeiro.
Os dois falaram antes da cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques golpistas de 8 de janeiro. O ministro discursou no evento e desceu a rampa do Palácio ao lado de Lula.
De acordo com esses auxiliares, o presidente ainda não tem um nome à mesa para subistituir Lewandowski. Eles não descartam que, num primeiro momento, haja uma transição no comando da pasta, com algum secretário assumindo de forma interina.
Como mostrou O GLOBO, o nome do advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, como um dos cotados para assumir a pasta. Ex-secretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, Lima e Silva é descrito por diferentes auxiliares como uma pessoa da estrita confiança de Lula.
Lewandowski vinha dizendo nos bastidores que já cumpriu sua missão no cargo e, por isso, deixaria a pastas. O anúncio do presidente Lula de que pretendia criar o Ministério da Segurança Pública, separando-o da Justiça, também provocou incômodo na cúpula da pasta no fim do ano passado.
No dia 23 daquele mês, Lewandowski expôs ao presidente o seu desejo de sair do cargo em uma conversa no salão de autoridades do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na ocasião, o presidente ouviu e disse que a decisão não abalaria a relação de amizade entre eles, mas pediu um tempo para escolher um substituto.
O ministro assumiu o comando da Justiça em fevereiro de 2024, meses após sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes, a pasta era comandada por Flávio Dino, que deixou o posto para assumir a vaga aberta com a aposentadoria de Rosa Weber na Corte.
Durante sua gestão, o Ministério da Justiça teve como foco a elaboração da PEC da Segurança Pública, que visa constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A proposta estabelece que a União defina diretrizes gerais sobre segurança e defesa social, incluindo a padronização de protocolos, estatísticas e sistemas de informação entre os entes federativos.
A gestão implementou o novo decreto de armas, transferindo a competência de fiscalização de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) do Exército para a Polícia Federal. Após a fuga de detentos na Penitenciária Federal de Mossoró, o ministério determinou o reforço das estruturas físicas e a atualização dos protocolos de segurança nos cinco presídios de segurança máxima do país.
Além disso, a pasta coordenou o apoio federal ao Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024 e acompanhou a finalização do inquérito sobre o caso Marielle Franco pela Polícia Federal.
