Levantamento do g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que 35.521 votos foram registrados após as 17h de domingo, em todo país, no segundo turno da eleição presidencial. A votação, que se encerraria às 17h, foi prorrogada para até as 19h por uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A quantidade de votos "atrasados" - como já havia afirmado o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques - não interferiu no resultado final. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com uma vantagem de 4,4 milhões de votos para Flávio Bolsonaro (PL).
Lula obteve 51,79%, o equivalente a 64,2 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu 48,21%, que representa 59,8 milhões. A diferença foi a maior do que a registrada em 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) por 50,9% a 49,1%.
Também superou a de 2014, ocasião em que Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) por 51,6% a 48,4%. As duas campanhas solicitaram a prorrogação ao TSE.
A de Flávio Bolsonaro pediu a extensão para até as 19h em municípios de diferentes Estados por conta das chuvas. Já a de Lula relatou problemas no transporte coletivo.
A campanha do PT acionou também o STF e, por isso, a decisão de Zanin, que atendeu o pedido. Segundo o levantamento do g1, das 35.521 confirmações de votos registradas após as 17h, 30.866 estão em seções em que os dados foram conferidos com os boletins de urna e cuja transmissão aparece como "totalizado" no sistema do TSE.
As outras 4.655 estão em seções ainda pendentes de validação. O levantamento, que foi publicado no portal, reúne informações de 497.897 seções eleitorais.
Os dados foram extraídos dos chamados logs, arquivos que registram os eventos ocorridos durante o funcionamento das urnas e seus horários. Segundo o g1, funciona como um "diário de bordo" da urna, e permite saber o momento em que foi ligada, os horários dos votos e quando a votação terminou.
Nesses arquivos, no entanto, não é possível saber para quem os votos foram dados. Nunes Marques confirma que prorrogação não alterou resultado e diz ter 'total confiança no processo eleitoral'
No domingo, após o encerramento da apuração, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação não causou nenhuma alteração no pleito. "Temos absoluta confiança de todo o processo eleitoral", ele disse.
O presidente do TSE ainda explicou que a medida, determinada por Zanin por volta das 17h, quando estava previsto o encerramento da votação, foi cumprida de maneira exitosa, mas que, diante do horário, milhares de urnas já haviam sido encerradas e a sua programação impede que elas sejam reabertas.
Assim, afirmou Nunes Marques, o envio dos boletins de cada urna teve de ser “bloqueado” momentaneamente para garantir a isonomia dos resultados e foi reaberto novamente após as 19h. “Tivemos de promover o bloqueio dos boletins de urnas, mas, mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos.
Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial [de prorrogação]”, afirmou. Flávio diz que pedirá anulação do pleito
Em pronunciamento no domingo, o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, disse não reconhecer o resultado e afirmou que irá pedir a anulação do pleito. Ele contestou a decisão do ministro Cristiano Zanin, a despeito de a própria campanha pedido a prorrogação ao TSE.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como as coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico e vamos pedir anulação dessas eleições.
Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal”, declarou.
Valor