A Leste, gestora de investimentos alternativos do ex-sócio do BTG Pactual Emmanuel Hermann, e a EQI Investimentos estão lançando fundo para captar até R$ 400 milhões junto a investidores brasileiros e financiar a construção e reforma de casas e apartamentos para locação (multifamily, no jargão do mercado) nos EUA.
Única casa de Niemeyer nos EUA é vendida por R$ 60 milhões — e corretor é ex-marido de Ariana Grande O novo veículo é o quinto lançado em parceria entre as duas e deve fazer com que a associação supere R$ 1 bilhão em captação.
Batizado de Leste Crédito Internacional 2, o veículo tem oferta inicial de R$ 300 milhões e dará a investidores brasileiros acesso a duas estratégias de crédito imobiliário nos EUA: financiamento de curto prazo para reforma e construção de casas e crédito para refinanciamento de edifícios multifamily concluídos.
— Nós gostamos da tese imobiliária nos EUA porque há um problema estrutural de déficit de imóveis no país. Com isso, o preço das casas sobe.
Com os recursos captados, a gente faz empréstimos para incorporadoras que estão construindo ou reformando casas ou multifamily. E fazemos isso de forma pulverizada.
Estamos em 42 estados americanos — explica Guilherme Loiacono, sócio e diretor comercial do Grupo Leste, baseado em Miami. VEJA TAMBÉM: Os brasileiros que vão erguer US$ 1 bilhão em imóveis na Flórida — começando por torre de 70 andares em Miami
A plataforma de crédito residencial do Grupo Leste já originou US$ 1,6 bilhão e realizou 1.641 empréstimos para 829 incorporadores nos EUA. O novo fundo é distribuído exclusivamente para a base de clientes da EQI, que calcula ter R$ 57 bilhões sob custódia e mais de 100 mil clientes ativos.
O fundo é voltado a investidores qualificados (com pelo menos R$ 1 milhão em patrimônio financeiro) e profissionais. Cotas
O Leste Crédito Internacional 2 será estruturado em reais, com aplicação mínima de R$ 1 mil e prazo estimado de três anos. O início das amortizações está previsto a partir do 12º mês, de acordo com a liquidação dos ativos.
A rentabilidade-alvo é de CDI (taxa de referência que acompanha de perto a Selic brasileira), acrescido de 2,5% ao ano. O cálculo é baseado em projeções internas do gestor e é bruto de impostos e taxas, mas pode não se concretizar — há, portanto, risco envolvido.
— Pode acontecer de ter algum solavanco de risco, mas a estrutura de subordinação protege o investidor da volatilidade. Isso porque a cota sênior (que tem prioridade para receber e é a última a absorver perdas em caso de inadimplência) fica com os clientes da EQI, enquanto a subordinada (última na fila para receber) fica com a Leste — pondera Roberto Varaschin, cofundador e diretor da EQI Investimentos.
O fundo investirá em uma estrutura offshore formada por 80% de cotas sênior e 20% de cotas subordinadas. Haverá uma estratégia de hedge cambial para mitigar as oscilações do dólar sobre o retorno em reais, dizem os executivos.
Impacto dos isentos De acordo com Varaschin, as casas já observam aceleração do apetite do investidor brasileiro por produtos como esse depois da instabilidade no mercado local com as eleições.
— A verdade é que o mercado brasileiro é relativamente pequeno para esse investidor que quer diversificação. E, com o atual patamar de juros, o mercado de crédito fica perigoso, já que tem muita empresa com dificuldade de pagar dívida — alerta Varaschin, acrescentando: — Nosso plano de acelerar essas teses internacionais vem em linha com a possibilidade de o governo acabar com a isenção de imposto para LCA e LCI.
O investidor brasileiro adora uma isenção, e, se ela acabar, vai haver muito mais demanda para outros produtos.
O Globo