Quinze anos depois de ser catapultada à fama na internet com “Friday”, Rebecca Black, hoje cantora e DJ, relembra o momento vivido na adolescência e questiona: uma música pode se tornar um sucesso “da maneira errada”?
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Lançada no YouTube quando Rebecca tinha 13 anos, “Friday” rapidamente se tornou um fenômeno da internet e transformou a jovem em um dos maiores memes da época.
Em entrevista ao programa On the Record, da Billboard, a artista comentou que entender o que estava acontecendo não foi fácil, principalmente por ainda ser criança e acompanhar em tempo real a repercussão da música, enquanto tentava compreender a própria identidade e a indústria.
— Foi difícil entender a realidade do que está acontecendo.
Os números são realmente difíceis de colocar em perspectiva — afirmou.
A cantora também comparou o ambiente digital de 2011 com o atual.
Na época, a internet era mais concentrada em grandes plataformas e uma tendência poderia atingir uma parcela enorme dos usuários simultaneamente.
Hoje, algoritmos personalizados, plataformas de nicho e ciclos sucessivos de viralização tornaram mais fragmentada a experiência de consumo musical.
Pressão por números
Se, na época de 'Friday", atingir um número massivo de pessoas foi brincadeira de criança, a pressão para atingir números grandes de visualizações e reproduções toma Rebecca de uma maneira diferente após 15 anos.
Segundo ela, a busca por viralização pode fazer com que artistas percam de vista a própria identidade, e afirma que a pressão financeira aumenta quando um músico passa a trabalhar com uma equipe que depende de sua renda.
— Os artistas perdem a noção de quem são ou do que deveriam ser simplesmente porque estão tentando recuperar esse patamar financeiro, e eu não os culpo.
Assim que um artista forma uma equipe, isso se torna essencial.
Você é responsável por garantir que uma grande porcentagem da sua renda seja sustentável para todos os outros.
A cantora também criticou a tentativa de transformar a viralização em uma espécie de estratégia calculada.
Para ela, tentar “gamificar” o sucesso pode retirar justamente o elemento espontâneo que faz um conteúdo chamar atenção.
Questionada se espera que seu novo álbum viralize, Rebecca descartou a ideia de tentar reproduzir o fenômeno de “Friday”.
— Acho que se eu passasse algum tempo da minha vida [risos] tentando recapturar o que aconteceu comigo, estaria desperdiçando muita energia.
‘Friday’ ressignificada
O sucesso de "Friday" aconteceu por um motivo simples: a repercussão negativa.
A música, no entanto, ganhou um novo significado para Rebecca ao longo dos anos.
“Friday” recebeu certificação de Platina, um marco que, segundo a artista, ajudou a mudar sua percepção sobre a faixa e sobre a própria trajetória.
— Obviamente, é algo muito importante, e eu vi a indústria mudar milhões de vezes nos últimos 15 anos.
Rebecca passou a incorporar a música de forma mais consciente em sets de DJ e apresentações ao vivo, transformando uma lembrança de sua adolescência em algo que pode explorar sob seus próprios termos.
A independência artística também se tornou parte importante dessa trajetória.
Longe da necessidade de explicar constantemente as escolhas feitas em torno de sua carreira, a cantora encontrou maior liberdade para definir a própria identidade musical.
Novo álbum
Rebecca Black se prepara para lançar "The Age of the Exhibitionist" em 4 de setembro.
O álbum explora temas relacionados a identidade e autenticidade e representa uma nova etapa na carreira da artista.
A cantora, que nos últimos anos colaborou com nomes como Slayyyter, Dillon Brady, Dorian Electra e Big Freedia, também mantém a preocupação com a forma como apresenta cada nova fase de seu trabalho.
Para ela, uma nova era precisa chegar com impacto — uma característica que se tornou parte de sua maneira de construir sua imagem artística.
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