Pesadelo logístico: Ataques do Irã a bases do EUA obrigam navios americanos a percorrer 3,5 mil ou 5,9 mil km para abastecer - QTU Questões do Universo

Pesadelo logístico: Ataques do Irã a bases do EUA obrigam navios americanos a percorrer 3,5 mil ou 5,9 mil km para abastecer

Fonte: Bandeira da fonte

Milhares de marinheiros a bordo do USS Abraham Lincoln chegaram à Tailândia na manhã desta quarta-feira para uma breve pausa após a missão bater o recorde de nove meses seguidos sem fazer escala.
O porta-aviões movido a energia nuclear atracou no porto de Laem Chabang, a cerca de 30 quilômetros de Pattaya, cidade turística onde cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais terão cinco dias de descanso após operações prolongadas no Oriente Médio, marcadas sobretudo por preocupações com a deterioração das condições a bordo — e uma logística complexa que foi desarticulada pela guerra no Irã.

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Em condições normais, um porta-aviões da Marinha visitaria um porto cerca de uma vez por mês para proporcionar à tripulação um breve período de descanso.
Parlamentares americanos têm cobrado respostas do Pentágono após relatos de marinheiros e seus familiares sobre falta de alimentos e água, exaustão e emergências de saúde mental a bordo do porta-aviões.
A Marinha reconheceu que as condições de trabalho têm sido difíceis, mas afirmou que a tripulação recebeu apoio suficiente, enquanto o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse que os relatos sobre as condições no navio foram “deturpados”.

Em um porta-aviões americano típico, 5 mil tripulantes trabalham ininterruptamente e precisam de até quatro refeições por dia.
Embora os navios sejam movidos a energia nuclear, os aviões e helicópteros que partem deles consomem milhões de galões de combustível por semana, e as embarcações não viajam sozinhas.
Elas são protegidas por contratorpedeiros armados com mísseis antiaéreos e de cruzeiro, formando o chamado grupo de ataque de porta-aviões.
Esses navios também precisam ser reabastecidos com alimentos e combustível.

Atualmente, há dois porta-aviões e 12 contratorpedeiros no Oriente Médio ajudando a impor um bloqueio aos portos iranianos.
Eles contam com o apoio adicional de um conjunto de três navios de guerra conhecido como grupo de prontidão anfíbio, que abriga uma força de ataque de fuzileiros navais.
Ao todo, a Marinha americana tem cerca de 20 navios na região, transportando aproximadamente 20 mil marinheiros e fuzileiros navais.

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Os desafios logísticos são imensos: os navios precisam de alimentos suficientes para mais de 420 mil refeições e cerca de oito milhões de galões de combustível por semana.
E, ainda que a Marinha opere na região há décadas e tenha construído depósitos de suprimentos em várias partes do Oriente Médio, o Irã destruiu uma importante base logística da Marinha no Bahrein em 28 de fevereiro, quando a guerra começou.

Outros portos da região capazes de receber um porta-aviões ou um navio de abastecimento também estão ao alcance de mísseis e drones iranianos, o que os torna inacessíveis.
Agora, os navios de abastecimento da Marinha na região precisam percorrer 2,2 mil milhas (cerca de 3,5 mil quilômetros) até uma pequena ilha no Oceano Índico chamada Diego Garcia para levar alimentos, combustível e outros produtos aos navios de guerra no Golfo de Omã e no Mar da Arábia.

Mapa ilustra as rotas alternativas de abastecimento da Marinha dos EUA no Oceano Índico para desviar da zona de alcance dos mísseis balísticos do Irã
O Globo/Editoria de Arte
A outra opção é seguir para Cingapura, a 3,7 mil milhas (5,9 mil quilômetros) de distância, o que exige que os navios atravessem o Estreito de Malaca, um movimentado corredor comercial.

Missões perigosas
Como a guerra cortou o acesso às bases próximas no Oriente Médio, a única opção é realizar missões de reabastecimento no mar a cada cinco ou seis dias.
Esse processo é potencialmente perigoso, expondo a riscos tanto o navio que recebe os suprimentos quanto o de abastecimento.
Durante essas missões, ambos precisam navegar juntos, mantendo exatamente o mesmo curso e velocidade.

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Com ondas, ventos e correntes marítimas, é um desafio manter os navios com segurança a cerca de 45 metros um do outro durante horas.
Os marinheiros usam fuzis para disparar cabos de um porta-aviões ou contratorpedeiro até o navio de abastecimento, conectando finalmente as duas embarcações por meio de cabos de aço.
Mangueiras de combustível e paletes de mercadorias são então transportados por esses cabos.

Infográfico detalha a operação de reabastecimento no mar entre um navio logístico e um porta-aviões dos EUA, realizada a cerca de 45 metros de distância
O Globo/Editoria de Arte
Ao mesmo tempo, helicópteros transportam suprimentos entre esses navios, levando paletes de alimentos, peças sobressalentes e correspondências em redes suspensas abaixo deles.

As missões desses navios de guerra não têm prazo definido, e eles só retornam para casa quando o presidente americano, Donald Trump, e o secretário de Defesa decidirem.
No entanto, isso não é sustentável: a Marinha tem apenas 11 porta-aviões no total e enviou quatro deles para o Oriente Médio por causa da guerra.
Alguns dos porta-aviões restantes estão passando por longos períodos de reparo em estaleiros e não poderão ser novamente mobilizados por anos.

Bases deterioradas
Ao mesmo tempo, instalações militares americanas em todo o Pacífico estão em um preocupante estado de deterioração, alertou o inspetor-geral do Pentágono.
Corrosão e buracos em edifícios, tetos desabando e a presença de mofo e amianto estavam entre os problemas identificados durante inspeções em 11 instalações americanas em toda a região e comunicados a uma dúzia de altos funcionários em agosto.
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Os problemas afetaram infraestruturas essenciais para a prontidão das forças americanas, além de instalações destinadas a militares e suas famílias, segundo um aviso de 6 de agosto de Randolph Stone, inspetor-geral adjunto para avaliações.
Esses “alertas de gestão” são emitidos durante uma auditoria em andamento para sinalizar à alta administração problemas que exigem atenção imediata.
O Pentágono não comentou.
Mark Sinder, secretário-adjunto para modernização da infraestrutura, afirmou em relatório que “os Departamentos Militares, em coordenação com as partes interessadas identificadas, assumirão a liderança na correção das deficiências de infraestrutura identificadas” e que será estabelecido “um cronograma para corrigir todas as deficiências”.
No alerta, o inspetor-geral “identificou preocupações relacionadas a outras infraestruturas críticas, como infraestrutura hídrica e habitacional, que dão suporte às missões” em toda a área do Comando dos EUA para o Pacífico.
Embora as infraestruturas de água e habitação não estejam diretamente relacionadas às capacidades de combate “críticas para a missão”, elas “são fundamentais para dar suporte” aos militares na região, afirmou o inspetor-geral.
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A Base Aérea de Kadena, por exemplo, é um importante centro do poder aéreo americano no Pacífico e abriga US$ 836 milhões em munições.
Uma foto de um de seus hangares, anexada ao relatório, mostra uma parede com vários buracos, expondo os itens armazenados ao ambiente externo.
Fotos de outra instalação da base — um hangar de aeronaves — mostram um edifício deteriorado, tomado por ferrugem e corrosão.
Em julho, uma pesquisa da CNN mostrou que um recorde de 73% dos adultos americanos afirma que Trump não deu atenção suficiente aos problemas mais importantes do país, e 67% acreditam que as decisões do presidente sobre ações militares no Irã prejudicaram os EUA.