Leandro Resende:

Leandro Resende: 'PF sepulta candidatura de Castro e PL reavalia nomes para o Senado no RJ'

 

Fonte: Bandeira



A segunda visita da Polícia Federal em 11 dias ao apartamento do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, "matou e sepultou", nas palavras de integrantes do PL, o seu plano de se candidatar ao Senado. Se já seria difícil registar a sua candidatura após o Tribunal Superior Eleitoral decretar a sua inelegibilidade em março, o mês de maio tornou o plano impossível após o Supremo Tribunal Federal apontar um vínculo entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Um dia antes de ser alvo da PF pela primeira vez, Castro esteve em Brasília e reuniu-se com líderes do partido, como o deputado federal, Altineu Côrtes. Vinha de uma semana confiante: esteve em Duque de Caxias e ganhou a promessa de apoio para a sua campanha ao Senado, mesmo com o grupo político local estando alinhado com a candidatura de Eduardo Paes ao governo do RJ. Agora, os mesmos que se deixaram fotografar ao lado do ex-governador há poucos dias dizem, nos bastidores, que nem se os 92 prefeitos o apoiarem, a sua candidatura é viável.

O partido já pensa em alternativas para o lugar dele na disputa ao Senado, e nem o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, está descartado: há receio do impacto das investigações sobre a relação dele com Vorcaro. No Rio, as alternativas colocadas são os deputados federais Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcanti e Eduardo Pazuello. Os dois primeiros foram alvos da Polícia Federal no âmbito da Operação Galho Fraco, que investiga o dinheiro de recursos parlamentares; o terceiro foi ministro da Saúde durante a pandemia de Covid-19.

Receio é a palavra de ordem no grupo político do ex-governador: à coluna, parlamentares apontaram o temor de prisões em investigações que o orbitam, desde o caso do Rioprevidência, desta terça-feira (26), ao caso da Refit, uma das maiores devedoras de impostos do Brasil e que, segundo a PF, foi beneficiada na gestão Castro.

Houve surpresa com a informação levantada pela PF e reproduzida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de que Vorcaro e Castro tinham "relações pessoais e políticas" e que o ex-governador "exerceu um papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master".

A leitura no PL é de que este escândalo tinha um potencial maior para atingir o União Brasil, do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (que está preso). Afinal, nos bastidores do estado, as nomeações feitas para postos-chave no órgão eram indicação de Antonio Rueda, presidente da legenda.

Prova do isolamento do ex-governador, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), horas após a deflagração da operação da PF que apura a transferência de cerca de R$ 3,7 bilhões em recursos do Rioprevidência para fundos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, parlamentares do PL conseguiram assinaturas para uma CPI para investigar os investimentos. Antes, o PSOL conseguiu as assinaturas para uma Comissão, a Alerj não autorizou e o tema está na Justiça do Rio.

A defesa do ex-governador informou à coluna que ele ainda não tratou da sua candidatura ao Senado após a operação dessa terça-feira (26).