Gustavo Munis de SantanaDivulgação/Redes sociais Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, que morreu em decorrência de um surto após uma abordagem policial em 10 de outubro, na região de Moema, zona sul de São Paulo, foi alvejado com 12 disparos, segundo o laudo necroscópico do Instituto de Criminalística (IC).
A informação foi divulgada pelo g1.Inicialmente, o Boletim de Ocorrência apontava que o jovem havia sido atingido por 27 disparos, de um total de ao menos 45 tiros efetuados pelos policiais. No entanto, o laudo disponibilizado à emissora indica que, das 12 perfurações confirmadas no corpo do jovem, 3 foram no tórax e 1 no abdômen.
Outros 8 disparos atingiram a vítima de raspão. De acordo com o IC, a contagem aproximada no local foi de 20 tiros.A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afastou os 4 policiais que participaram da ocorrência no domingo (11), dia seguinte ao ocorrido, após a análise de imagens.
A Polícia Civil, contudo, ainda não havia recebido a íntegra das gravações 60 horas após o episódio para dar andamento às apurações.Defesa alega que jovem sofreu agressões anteriores da polícia A advogada que representa a família disse ao g1 que Gustavo já havia sofrido agressões em abordagens policiais anteriores e que tinha virado alvo frequente dos agentes.“Não é a primeira vez que isso acontece e não é a primeira vez que há uma abordagem agressiva.
Ele já foi agredido pela Polícia Militar antes”, afirmou a advogada Ana Facíllia Meira.Na visão dos parentes de Gustavo, mesmo morando em um bairro de classe alta, ele era constantemente visto como suspeito por ser negro. Para a família, esse era o motivo de as abordagens serem infundadas e violentas.As investigações vêm sendo acompanhadas pela defesa, que também empregou recursos próprios para garantir a preservação de provas e colaborar com os esclarecimentos.Família nega história de tentativa de suicídio Gustavo fazia tratamento psiquiátrico e não tinha antecedentes criminais.
Segundo a defesa em entrevista ao g1, o acompanhamento médico não tinha relação com histórico de mutilação ou tentativas de tirar a própria vida.“Era um tratamento para depressão que não envolvia nenhum tipo de episódio relacionado a tentativa de suicídio, automutilação ou algo do tipo”, disse Ana Facíllia Meira.Os parentes do jovem também negam que Gustavo tenha tentado contra a própria vida em outras ocasiões ou apresentado episódios anteriores de surto, o que contrasta com a narrativa inicial divulgada pela polícia.Relembre o casoGustavo foi atingido durante uma ação que envolveu quatro policiais militares na Alameda dos Guaramomis, no bairro Planalto Paulista, região de Moema.
Ao todo, a corporação efetuou 45 disparos ao longo da intervenção.A equipe policial havia sido acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para conter uma suposta tentativa de suicídio.De acordo com o registro policial, o jovem atravessou uma passarela após a chegada da primeira viatura e se abrigou em um imóvel.
Em seguida, teria saído de uma área escura e corrido em direção aos agentes com os braços estendidos, apontando o celular — objeto que os policiais afirmaram ter confundido com uma arma de fogo.A perícia técnica confirmou que o rapaz segurava apenas o próprio telefone celular.As imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos na abordagem ainda não foram entregues à Polícia Civil.
Os arquivos estão sob posse da Corregedoria da Polícia Militar e são considerados cruciais para esclarecer o ocorrido.O iG solicitou um posicionamento a SSP, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
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