Laudo da defesa de Vorcaro aponta 999 arquivos modificados e pode beneficiar Moraes no STF

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Um laudo contratado pela defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apontou registros de modificação em 999 arquivos de seu celular após a apreensão do aparelho. As inconsistências identificadas pela análise podem fundamentar questionamentos sobre a validade das provas utilizadas nas investigações e, eventualmente, beneficiar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O documento também identificou 657 arquivos com registros de modificação em 18 de novembro de 2025, data da prisão de Vorcaro, além de 94 imagens com registros de criação posteriores à apreensão. Apesar dos resultados, a perícia não conseguiu comprovar adulteração deliberada do conteúdo nem determinar a origem das alterações.

A principal limitação da análise está no material disponibilizado aos advogados. O exame foi realizado sobre um arquivo no formato UFDR, contendo informações previamente extraídas, processadas e organizadas pela Polícia Federal (PF).

A defesa não recebeu os dados brutos do aparelho, o que impede comparar diretamente o material analisado com os registros originais. Essa circunstância dificulta a identificação de eventuais mudanças ocorridas entre a extração dos dados e sua disponibilização para análise.

Sem essa comparação, não é possível estabelecer se as diferenças encontradas resultaram de procedimentos técnicos, de alterações em arquivos ou de alguma intervenção externa. “A ausência de elementos que permitam atribuir essas alterações a uma intervenção humana não autoriza, por consequência, classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas”, afirma o documento.

A defesa de Vorcaro pretende obter acesso aos dados originais para aprofundar a verificação. A discussão envolve a integridade das evidências digitais e a possibilidade de demonstrar que o conteúdo apresentado aos investigadores corresponde ao material efetivamente armazenado no dispositivo apreendido.

Possíveis consequências para Alexandre de Moraes A controvérsia pode alcançar elementos utilizados para investigar a relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Segundo informações atribuídas à Polícia Federal, o ministro teria recebido pelo menos 52 mensagens do ex-banqueiro. As comunicações teriam ocorrido por meio de um procedimento específico: Vorcaro escrevia mensagens no aplicativo Notas do iPhone, produzia capturas de tela e encaminhava as imagens pelo WhatsApp, utilizando o recurso de visualização única.

De acordo com os elementos da investigação, as imagens permaneceram armazenadas no aparelho de Vorcaro, permitindo que os investigadores recuperassem parte do conteúdo atribuído às conversas. As respostas do ministro também teriam sido transmitidas por imagens de visualização única.

Moraes nega ter participado das trocas de mensagens divulgadas e classificou os conteúdos como “diálogos fantasiosos”. A identificação de 94 imagens no formato HEIC com datas de criação posteriores à apreensão do celular poderá alimentar os questionamentos sobre a autenticidade do material digital.

Entretanto, o laudo não demonstra que essas imagens correspondam às mensagens atribuídas a Moraes, tampouco comprova que tenham sido produzidas ou inseridas indevidamente depois da apreensão. O ministro também enfrenta questionamentos relacionados aos vínculos profissionais de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.

O escritório de Viviane mantinha um contrato de até R$ 131 milhões com a instituição financeira e outro acordo, de R$ 50 milhões, relacionado ao uso de aeronaves. O caso levou a relação entre Moraes e Vorcaro ao escrutínio público.

O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no STF, apresentou um pedido de investigação envolvendo Moraes. A eventual invalidação das provas extraídas do celular poderia atingir elementos usados para sustentar suspeitas relacionadas ao ministro.

Essa possibilidade, contudo, depende de comprovação de irregularidades relevantes e de uma decisão judicial. Quando provas digitais podem ser anuladas

A legislação brasileira estabelece limites para a utilização de provas obtidas ilegalmente. O artigo 157 do Código de Processo Penal determina que evidências produzidas em violação às normas constitucionais ou legais não podem ser admitidas no processo.

O dispositivo também alcança provas derivadas de elementos ilícitos, princípio conhecido como teoria dos frutos da árvore envenenada. A regra impede que informações obtidas de maneira irregular sejam utilizadas como fundamento para a produção de novas evidências.

A aplicação desse entendimento, entretanto, não é automática. A legislação prevê exceções, inclusive quando não existe relação causal entre a prova ilícita e a evidência posteriormente obtida ou quando esta poderia ser alcançada por uma fonte independente.

No caso do celular de Vorcaro, a análise contratada pela defesa ainda não comprova que os dados tenham sido manipulados. A identificação de registros temporais posteriores à apreensão constitui um elemento a ser esclarecido, mas não é suficiente, isoladamente, para determinar a nulidade das provas.

A avaliação judicial deverá considerar a integridade dos arquivos, a documentação dos procedimentos de coleta e processamento e a possibilidade de verificar a origem das informações utilizadas pelos investigadores. A defesa busca justamente o acesso ao material original para examinar essas questões.

Caso sejam identificadas irregularidades capazes de comprometer a confiabilidade ou a legalidade das evidências, os advogados poderão sustentar pedidos de invalidação. Até a divulgação das informações, a Polícia Federal não havia apresentado esclarecimentos sobre a existência de arquivos com registros de criação ou modificação posteriores à apreensão do celular.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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