247 – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que está disposto a revelar informações sobre suas relações e negócios, mas defendeu o arquivamento imediato da investigação sobre as operações financeiras envolvendo o Banco de Brasília (BRB). A declaração foi feita em depoimento prestado no último dia 15, antes de seu indiciamento por suspeitas de fraudes nas transações entre as duas instituições.
Segundo O Globo, Vorcaro sustentou na oitiva que não houve fraude nem prejuízo nas operações investigadas e afirmou que poderia prestar esclarecimentos sobre outros assuntos. A posição contrasta com as conclusões da Polícia Federal, que o aponta como líder de uma organização criminosa envolvida em irregularidades financeiras.
“Tem outras coisas para serem investigadas, tem coisa, e estou disposto a que se investigue. As minhas relações, eu estou disposto a falar tudo.
Mas esse caso tem que ser arquivado, imediatamente, urgentemente. Não pode estar aberto um caso de fraude para alguém que não tem um prejuízo, não tem do BRB e não tem do Master”, declarou Vorcaro aos investigadores.
A manifestação ocorreu no âmbito da primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura a comercialização de R$ 17,5 bilhões em créditos do Banco Master para o BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse montante, a Polícia Federal identificou R$ 12,2 bilhões em créditos considerados problemáticos, sem a “devida comprovação de sua existência”.
Apesar das negativas apresentadas pelo banqueiro, a PF indiciou Vorcaro e outras 13 pessoas por suspeitas de participação nas fraudes. Ao ex-controlador do Master são atribuídos supostos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro.
Prejuízos reconhecidos pelo BRB contradizem versão de Vorcaro A alegação de que as operações não provocaram prejuízos contrasta com informações divulgadas pelo próprio BRB.
A instituição financeira pública reconheceu perdas de R$ 2,7 bilhões relacionadas às transações com o Banco Master. Em abril, os acionistas do BRB aprovaram um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, destinado à recomposição do patrimônio da instituição.
Um relatório do Banco Central, por sua vez, chegou a apontar perdas potenciais de R$ 11,4 bilhões, valor significativamente superior ao prejuízo já reconhecido pelo banco. Outro elemento que compõe o cenário financeiro da instituição é a ausência de divulgação de resultados desde o segundo trimestre de 2025.
Polícia Federal apresenta relatório ao STF As principais evidências reunidas durante a primeira fase da Operação Compliance Zero foram consolidadas em um relatório parcial encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (28).
O documento reúne elementos que fundamentam as suspeitas sobre as operações entre Master e BRB, incluindo a comercialização de carteiras de crédito cuja existência, segundo a investigação, não foi devidamente demonstrada. A Polícia Federal atribui a Vorcaro uma posição de liderança na suposta organização criminosa e considera que as operações investigadas podem configurar diferentes modalidades de crimes financeiros.
Banqueiro chama celular de “maldição” e “bênção” Durante o depoimento, Vorcaro também mencionou o conteúdo de seu telefone celular, que, segundo ele, reúne registros de negócios realizados em diferentes setores econômicos.
Ao defender a regularidade das atividades do Banco Master, o banqueiro afirmou que as informações armazenadas no aparelho permitiriam identificar suas operações e relações comerciais. “Como eu disse outro dia, meu celular é minha maldição, minha bênção.
E tá lá os negócios. É negócio com um, é negócio com outro, é negócio de mineração, é negócio de turismo, todos os negócios lá.
É crédito fulano, é crédito ciclano, é carteira de crédito”, afirmou. A referência ao aparelho ocorreu enquanto Vorcaro sustentava sua versão sobre a situação financeira do Master e a natureza das operações realizadas pelo banco.
O ex-controlador do Banco Master também manifestou confiança de que será inocentado das acusações relacionadas às transações com o BRB. Segundo a reportagem, ele afirmou que, futuramente, cada órgão envolvido deverá assumir sua responsabilidade, assim como ele próprio.
A defesa apresentada por Vorcaro, no entanto, não impediu o avanço das investigações nem o indiciamento dos 14 envolvidos.
Brasil 247