Lagoas da Barra e de Jacarepaguá inspiram livro infantil

Lagoas da Barra e de Jacarepaguá inspiram livro infantil - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um som estranho chama a atenção de um grupo de animais que vive próximo às águas de uma lagoa. Intrigados, eles começam a investigar o que está acontecendo no entorno.

A aventura é o ponto de partida de “O som que vem das águas”, primeiro livro infantil do fotógrafo e artista visual Caique Cunha, de 47 anos, que foi inspirado no Complexo Lagunar de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Meio ambiente: Nova reserva marinha vai proteger área entre o Recreio e Barra de Guaratiba

Bandeira Azul: Com Reserva de fora, Zona Sudoeste terá duas praias com bandeira hasteada na próxima temporada Voltada para crianças entre 8 e 11 anos, a obra aborda preservação ambiental, amizade e pertencimento por meio de personagens extraídos da fauna local.

Capivana (uma capivara), Juju (jacaré-de-papo-amarelo), Tapico (tapicuru), Zé Aratu (caranguejo) e Dona Moura (garça cinza) conduzem a narrativa, que procura aproximar os leitores de um território marcado pela biodivesidade e as transformações urbanas. A ideia nasceu de uma pesquisa que Cunha desenvolveu há quatro anos sobre o sistema lagunar.

Em 2025, o trabalho resultou em uma exposição fotográfica na Cidade das Artes, inicialmente voltada para adultos. Mas durante a mostra, o artista percebeu que era outro público que demonstrava o maior interesse pelo tema.

Foi essa experiência que o levou a experimentar uma nova linguagem. — As crianças iniciavam os debates durante a exposição e mostravam um interesse muito genuíno pelo trabalho.

Então eu pensei: “Preciso me comunicar com esse público” — conta Cunha. Ao escrever o livro, ele procurou abordar questões ambientais sem transformar a história em uma aula.

Construiu uma aventura na qual os personagens descobrem o que acontece no ambiente onde vivem. — Queria trazer o senso de urgência para as crianças.

Mostrar que aquilo que acontece com um rio, uma lagoa ou um animal também diz respeito à nossa própria vida — explica. Conheça os personagens de 'O som que vem das águas'

A criação dos personagens também partiu de sua observação. A capivara, que o autor considera popular entre as crianças, é comum no complexo lagunar da região.

O tapicuru entrou na história após ter sido descoberto durante a pesquisa em campo. O pássaro procura alimento com o bico na lama, deixando marcas na superfície.

Na história, o comportamento foi transformado em uma característica artística do personagem Tapico, que adora desenhar. A serenidade da garça-moura e a agitação do caranguejo aratu também estão no livro.

A intenção, segundo o autor, é apresentar aos pequenos leitores animais que fazem parte da paisagem carioca, mas nem sempre ocupam o centro das histórias. Mais visibilidade à região

A escolha do Complexo Lagunar como cenário também reflete uma preocupação com a representação cultural da cidade. Cunha avalia que a produção artística carioca ainda se concentra no Centro e na Zona Sul do município, enquanto outras regiões têm menos espaço para apresentar suas referências.

— Sou morador da região e sinto que deslocar a cultura dos outros polos e trazê-la para cá é muito favorável. É preciso fazer essa descentralização, mostrar outros Rios que existem aqui — defende o autor.

Em “O som que vem das águas”, a paisagem não funciona apenas como pano de fundo. A região, que passou por intensas transformações urbanas nas últimas três décadas, inspira uma narrativa sobre a relação entre os seres vivos e o ambiente em que estão inseridos.

A proposta é estimular a percepção de que as mudanças na água afetam os animais, as plantas e as pessoas. Cristiana Carvalho realizou uma leitura do livro para crianças durante o lançamento da obra

Divulgação Uma das táticas usadas é apresentar paisagens ilustradas com base em fotografias feitas pelo próprio autor durante sua pesquisa.

Imagens reais foram transformadas em desenhos, aproximando o universo da ficção dos lugares que inspiraram a história. Publicado pela Editora Studio Rico, o livro foi viabilizado pelo edital Produção Literária e Projetos Artísticos, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

O lançamento, realizado na Biblioteca Ziraldo, na Cidade das Artes, contou com uma roda de leitura conduzida pela atriz Cristiana Carvalho e a distribuição gratuita de 50 exemplares às crianças presentes. A obra também terá versões digitais, um PDF compatível com leitores de tela e um audiobook narrado pelo cantor Marcelo Natividade.

O exemplar físico custa R$ 75 e pode ser adquirido pelo site da editora. O trabalho sobre as lagoas não termina com o livro.

A publicação é a segunda etapa de projetos dedicados ao território. A primeira foi a exposição fotográfica do ano passado.

Depois do produto destinado ao público infantil, o artista quer lançar um livro de fotografia sobre o complexo lagunar, projeto que já tem aprovação na Lei Rouanet, mas ainda precisa de um patrocínio.

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