La Braciera investe R$ 2 milhões em produção de pizzas congeladas para ganhar clientes em todo o Brasil

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Fonte da notícia: Valor Valor

Com planos de expandir sua rede de restaurantes, hoje com seis unidades em São Paulo e uma em Campinas, para diversas regiões do país a partir de 2028, a La Braciera, especializada em pizza com estilo napolitano, encontrou uma receita para antecipar a entrega desse sabor. Desde agosto deste ano, a rede vem investindo na Doppio Zero Pizza, produção de pizzas congeladas com produtos selecionados.

Apesar de estar em ritmo de projeto-piloto, a Doppio Zero Pizza deve alcançar, ainda este ano, o mesmo faturamento de uma das sete dark kitchens dedicadas ao delivery da La Braciera, diz Daniel Lucco, CEO e cofundador da empresa. Com a expectativa de chegar a R$ 75 milhões em faturamento este ano, o que representa pouco mais de 41% da receita obtida em 2025 (R$ 53 milhões), a La Braciera pretende investir R$ 2 milhões na operação de pizzas congeladas nos próximos cinco anos.

Nesse período, o objetivo é que a receita da operação da Doppio Zero Pizza represente 10% do faturamento do grupo. A meta é iniciar a distribuição do produto congelado para praças das regiões Sudeste e Sul em 2027.

Entre a produção e o tempo de prateleira no ponto de venda, a pizza congelada da La Braciera tem validade de seis meses. “Ano que vem, certamente, a gente já vai ao nível nacional.

Então, a nossa expansão através da pizza congelada vai acontecer antes da nossa expansão com loja física e delivery”, afirma Lucco. Para desenvolver a produção das pizzas congeladas, o grupo não precisou investir em infraestrutura, utilizou o maquinário da nova cozinha central, inaugurada em março deste ano, no Limão, Zona Norte de São Paulo, com mil metros quadrados.

Lucco ressalta que os R$ 2 milhões destinados à nova operação serão investidos em túneis de congelamento, caminhões de distribuição, câmaras frias de armazenamento e marketing. Na visão do empreendedor, o negócio de congelados exige um investimento em marketing muito expressivo, que inclui degustações para o consumidor e ações para que o produto tenha uma boa visibilidade nas prateleiras.

A rede também está trabalhando com influenciadores para divulgar o novo produto. Lucco, que conheceu bem o mercado de alimentação congelada quando fundou a Lucco Fit (marmitas com ultracongelamento), observa que ainda existe algum tipo de preconceito por parte dos consumidores, por isso o investimento em marketing é fundamental.

Mas essa percepção parece não desandar a receita Doppio Zero Pizza, que produziu duas mil unidades congeladas em agosto. Lucco afirma que a meta é oferecer pizza congelada de maior qualidade.

A produção tem sido distribuída pela Base Zero, de Campinas, para minimercados instalados em condomínios, e pelo Daki, mercado on-line. “Os minimercados entendem muito o valor que tem a marca La Braciera.

Eles tinham outras opções de pizza congelada, mas o preço era altíssimo, R$ 100,00 para uma pizza de 25 centímetros. Nossa pizza, nesse tamanho, chega por volta de R$ 65,00, se for menor (20 cm), sai por R$ 40,00, preços bem competitivos”, diz Lucco.

Outro foco da Doppio Zero Pizza são as redes hoteleiras, incluindo motéis. Lucco também vem conversando com estabelecimentos que têm interesse somente na massa e no molho, para montar a pizza internamente.

“Existem muitos estabelecimentos que já têm forno, mas não querem fazer a massa, porque têm dificuldade para estocar farinha, por exemplo. É mais ou menos como a lógica da hamburgueria que não fabrica o pão, porque precisa de um processo de fermentação específico”, observa o empreendedor.

Lucco diz que os mercados também são um canal presente nos planos de expansão da Doppio Zero Pizza, mas prefere avançar por etapas. “O valor que o mercado vai enxergar na gente é baixo perto do que hotéis, mercadinhos de condomínio enxergam.

A gente entende que vai chegar no nosso tempo, no nosso prazo”, avalia. Experiência internacional foi inspiração

A decisão de investir nas pizzas congeladas foi tomada durante a edição deste ano da NRA Show (sigla para sigla de “National Restaurant Association Show”), conhecida no setor de alimentos e bebidas como a maior feira do setor, realizada em maio, em Chicago, nos Estados Unidos. Lucco conversou com um empresário italiano com negócio semelhante ao da La Braciera, que contou como estava abrindo novas frentes de receita com as pizzas congeladas, como a venda de fornos em regime de comodato.

“Alguns estabelecimentos comerciais nem sempre têm o forno, então a ideia dele foi dar os fornos em comodato para estabelecimentos que nem sonhavam em vender pizzas. Assim ele consegue reter o cliente por mais tempo, porque o forno exige um pedido mínimo de pizzas”, conta Lucco.

A experiência do empreendedor italiano com o regime de comodato de forno também chamou a atenção de Lucco, que tem conversado com empresários que já atuam com esse modelo de comodato. “Estou entendendo com os donos do Pão de Queijo Tradição como funciona isso no mercado brasileiro”, diz.

Com algumas diferenças das pizzas servidas nos restaurantes da rede, o preparo das congeladas inclui massa de longa fermentação, farinha italiana tipo 00 e molho de tomate importado. “Na pizza do salão, a gente abusa da borda.

Na congelada, baixamos essa borda, preferimos uma mais airada”, diz Lucco. Na linha de congeladas, há alguns ingredientes diferentes da receita das pizzas servidas nos salões da La Braciera, como é o caso da muçarela.

A linha da Doppio Zero Pizza apresenta sabores como calabresa, marguerita verace, quattro formaggi e mozzarella. Embora a rede já tivesse experiência suficiente na produção de pizzas com fermentação mais elaborada para lançar o produto congelado, Lucco diz que a estratégica do negócio é ultra-foco.

“Queremos fazer a melhor pizza que a gente conseguir, com o melhor atendimento. Em 2025, fomos eleitos como a 19ª melhor pizzaria do mundo pelo ranking internacional 50 Top Pizza”, ressalta.

Com o modelo de negócios que utiliza apenas capital próprio, os quatro sócios da La Braciera são mais cautelosos para novos passos. Essa preocupação se reflete por exemplo na infraestrutura para preparação dos pratos.

Antes de março, a cozinha central da rede, instalada no bairro do Ipiranga, contava com 200 metros quadrados, cinco vezes menor do que a atual estrutura, no Limão. Lucco diz que, por contarem apenas com capital próprio para investimentos, o negócio investe na medida certa para o crescimento projetado.

“Não adianta a gente fazer uma cozinha central que vai ser maior do que a gente precisa, essa estrutura vai suportar nosso crescimento”, afirma.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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