L’Oréal contrata assessores para avaliar passivos de processos de talco nos EUA

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Fonte da notícia: Valor Valor

A L’Oréal contratou assessores de reestruturação financeira e jurídica para avaliar alternativas diante do aumento de seus passivos judiciais nos Estados Unidos ligados ao uso de talco e outros compostos químicos em produtos cosméticos, informou o Wall Street Journal.

A subsidiária norte-americana da gigante de cosméticos francesa trabalha com o escritório de advocacia Weil Gotshal & Manges e com o banco de investimento Ducera Partners para lidar com ações movidas por consumidores que alegam que produtos à base de talco causaram problemas de saúde, segundo o jornal, citando fontes a par do assunto.

Em seus resultados semestrais mais recentes, a L’Oréal divulgou que cerca de 760 processos nos EUA sobre a suposta presença de partículas de amianto em cosméticos com talco estavam em andamento até o fim de junho, ante cerca de 620 ao final de 2025, reiterando que contesta veementemente as acusações.

De acordo com o jornal americano, a empresa estuda transferir esses passivos por danos a uma entidade jurídica separada para repassá-los via venda a um investidor externo, permitindo isolar essa exposição de suas operações comerciais.

Como alternativa para equacionar as ações fora de um processo formal de recuperação judicial, os assessores da L’Oréal analisam uma operação semelhante ao desinvestimento feito pela Honeywell no ano passado, que transferiu determinados passivos relacionados a amianto para a Delticus, plataforma especializada na aquisição de litígios corporativos.

A L’Oréal, o escritório Weil Gotshal & Manges e o Ducera Partners não responderam de imediato aos pedidos de comentário feitos pela Reuters.

As disputas jurídicas em torno do talco já custaram bilhões de dólares a companhias como a Johnson & Johnson, em uma batalha judicial que já se estende por mais de uma década, levando diversas empresas a recorrer a tribunais de falência para tentar encerrar os litígios.

Em julho, a Johnson informou que pagaria cerca de US$ 5,5 bilhões para encerrar dezenas de milhares de processos que alegavam que seu talco infantil e outros produtos causavam câncer de ovário. Anteriormente, o grupo havia entrado com três pedidos de recuperação judicial por meio de subsidiárias na tentativa de liquidar os casos, mas todas as tentativas foram rejeitadas pela Justiça.

A Avon Products, holding sediada nos Estados Unidos da marca de beleza Avon, também ingressou com pedido de “Chapter 11” em 2024 para reestruturar suas dívidas e passivos ligados a processos de talco.

Além das ações de talco, a L’Oréal enfrenta milhares de processos que apontam que produtos para alisamento capilar podem causar câncer em mulheres. O estado do Arizona processou a companhia no mês passado, alegando que a fabricante ocultou evidências de que os produtos apresentavam riscos cancerígenos.

A L’Oréal USA já declarou anteriormente que confia na segurança de suas formulações e considera que as acusações carecem de respaldo jurídico e científico.

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