Depois de dizer que renunciaria ao mandato caso o aliado Renan Santos tivesse 3% dos votos válidos na disputa presidencial, Kim Kataguiri (Missão) recuou da promessa e decidiu se manter na cadeira de deputado. Com mais de 520 mil votos, ele foi um dos dois eleitos do partido oriundo do Movimento Brasil Livre (MBL), que lançou 483 nomes para o pleito, mas falhou em surfar a nova onda da direita. Eleições 2026: Veja os dados e mapas da corrida à Presidência 'Com a palavra': deputados mais votados do país, Nikolas e Pavanato centram críticas no STF e em Lula, e Erika Hilton foca em pauta identitária Reeleito deputado federal por São Paulo no domingo, Kataguiri disse na véspera que, "se a gente tiver 3% no Datafolha, eu renuncio o meu mandato na frente da Folha", em referência ao patamar aferido pelo Datafolha, entre outros institutos em pesquisas de intenção de voto, em levantamento pré-votação. O deputado alegava que o comparecimento em atos de campanha do Missão sugeria uma força muito maior do movimento. Após a apuração, em que Renan Santos chegou a 2,24% dos votos válidos, Kataguiri disse ser um "homem de palavra", mas voltou atrás. — Só passando para avisar que, se o Renan fizesse 3% e eu tivesse que renunciar, eu só ficaria três meses fora porque eu já assumo de novo em fevereiro — afirmou. — Eu disse que renunciaria se ele fizesse 3%, e ele fez 2%. Quarto colocado na disputa à Presidência, com mais de 2,6 milhões de votos (2,24%), Renan Santos (Missão) nega ter sido procurado por lideranças do PT ou do Centrão para uma possível aliança de segundo turno. Em entrevista ao SBT News, nesta segunda-feira, no dia seguinte à votação, o ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) disse que vai evitar contatos desse tipo e mirar "prioridades", como a estruturação do partido Missão, que estreou com dois eleitos entre 483 nomes. Nem Flávio, nem Lula Na entrevista, ele listou como tarefas a resolução de questões internas do MBL e o lançamento de um novo álbum de sua banda de rock, Limão Rosa, que também conta com a participação do deputado estadual Arthur do Val, o Mamãe Falei. Logo após a apuração, o político afirmou que não apoiaria Flávio Bolsonaro (PL) nem Lula (PT) no segundo turno, chamou ambos de "bandidos" e ressaltou que a militância “pode fazer o que quiser”. Já na entrevista, ele voltou a avaliar que o filho do ex-presidente "deve vencer a eleição no segundo turno".
— Não existe direita sem Bolsonaro — declarou ele, que prometeu não se opor a integrantes do movimento que decidirem seguir com Flávio. O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), que ficou em sexto lugar na corrida presidencial, anunciou apoio a Flávio contra Lula. O presidenciável do PL vai nesta terça-feira a Goiás fechar aliança com o quinto colocado na disputa pelo Planalto, Ronaldo Caiado (PSD). Já Augusto Cury (Avante) afirmou que os dois candidatos que o superaram, se quiserem, poderão aproveitar suas propostas. 'Resultado ruim' Após a apuração do primeiro turno, Renan Santos afirmou que o resultado foi pior do que esperava, tanto para sua campanha quanto para o partido. Pelas redes sociais, o candidato disse que a quarta colocação no pleito ficou muito distante de suas expectativas.
— O resultado é ruim. Não vamos passar de cláusula de barreira, vamos ter apenas um deputado estadual e um deputado federal no mesmo estado. O resultado não é bom, não é bom para o projeto, não é bom para aquilo que a gente desenhava — afirmou. — Eu não estou nem triste. Você fica triste quando é por pouco, e não foi nem por pouco, foi muito distante do que poderia ter acontecido, foi muito ruim. Apenas muito ruim — disse. Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), Renan entrou na disputa defendendo uma agenda de direita e tentando construir uma identidade própria em relação ao grupo político de Jair Bolsonaro. Ao longo da campanha, procurou se diferenciar tanto do PT quanto do bolsonarismo. No discurso após a apuração, Renan destacou que Flávio Bolsonaro teve um desempenho melhor que o próprio pai, “sendo um nada em termos de carisma e inteligência”, e afirmou que o PL vai construir uma base “colossal” no país.
O Globo