Kéfera lança livro na Bienal: 'Quis me levar a sério como autora de ficção'

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Fonte da notícia: Revista Quem Revista Quem

Kéfera está de volta na literatura com o lançamento de seu primeiro livro de fantasia sombria, Vestida de Medo, que traz uma história sobre vingança, amor proibido e bruxas. Uma das autoras confirmadas na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026, nesta terça-feira (8), a influenciadora conversou com a Quem sobre as inspirações de seu lançamento e bastidores da vida literária. O primeiro livro de ficção de Kéfera foi Querido Dane-se (2017), mas antes ela já tinha lançado suas autobiografias Muito Mais que 5inco Minutos (2015) e Tá Gravando. E Agora? (2016). "Queria muito voltar a escrever ficção, mas dessa vez me desafiar a criar algo completamente diferente do que eu já tinha feito", afirma. "Sempre fui muito atraída por histórias mais sombrias, suspense, thriller psicológico, fantasia, e percebi que nunca tinha explorado esse meu lado na literatura. Vestida de Medo nasceu muito dessa vontade de construir um universo do zero, com regras próprias, mistérios, embates, desejo, medo e personagens femininas fortes. Foi também uma oportunidade de escrever o tipo de história que eu, hoje, gostaria de encontrar numa livraria e ler", detalha. Segundo ela, a cada livro o seu processo de escrita evoluiu. "Muita coisa mudou. Eu mudei. Meus primeiros livros foram escritos por uma Kéfera muito mais nova, em outro momento da vida e da carreira. Hoje tenho muito mais repertório, mais experiências e também mais paciência com o processo criativo", diz. Kéfera Buchmann Reprodução/Instagram "Em Vestida de Medo, quis me levar a sério como autora de ficção. Não queria simplesmente contar uma história, queria construir personagens com contradições, plantar pistas, criar regras para aquele universo e fazer com que as escolhas tivessem consequências. Foi um processo muito mais trabalhoso". Kéfera conta que "o maior desafio foi perceber que, quando você inventa um universo, você também precisa obedecer a ele e conectar uma coisa à outra. Houve momentos em que eu ficava olhando para a tela do computador e pensando: 'E agora?', porque são muitos elementos, complexidades e universos distintos". "Estou escrevendo esse livro desde 2024, então tive que reler várias vezes para não me perder em nenhum detalhe. Precisei entender quais eram as regras daquele mundo, o que era possível, o que não era, quais eram as crenças daquele povo e de onde vinha o medo das bruxas", exemplifica. "Acho que o desafio maior foi equilibrar construção de mundo, ritmo, romance e mistério sem entregar respostas antes da hora", afirma. 'Vestida de Medo' de Kéfera Buchmann Divulgação Além de escritora, Kéfera é uma leitora voraz e compartilhou seu momento favorito de leitura. "Eu gosto muito de ler à noite, com o meu abajur com uma luz bem amarela, apoiada no braço do meu sofá, com uma mantinha quente, minhas cachorrinhas e minha gatinha preta comigo. Principalmente quando já encerrei tudo o que precisava fazer no dia", detalha. "É quando consigo realmente deixar o celular de lado e entrar na história. Eu sou muito do tipo que fala 'só mais um capítulo' e, quando percebe, negociou algumas horas de sono com um personagem fictício. Para mim, leitura é muito esse momento de sair um pouco da minha própria cabeça para poder viver a experiência de habitar os pensamentos de outra pessoa", completa. Por dentro da história A personagem principal de seu novo livro é Seraphine Wanderville, uma caçadora de bruxas, e, ao encontrar Elyra, a centésima mulher que deveria matar, se vê diante de um sentimento que a faz questionar tudo que já defendeu.

Kéfera conta que questionar as verdades ao seu redor é um ponto em comum com sua personagem. "Acho que essa é uma das coisas que mais me conectam com a Seraphine. Não pelas experiências dela, porque estamos falando de um universo de fantasia, mas pelo processo de perceber que algumas verdades que pareciam absolutas talvez nunca tenham sido realmente nossas", reflete. "Eu passei por isso em vários momentos da minha vida. Com a minha carreira, com a imagem que as pessoas construíram de mim, com a maneira como eu enxergava a mim mesma e até com o que eu acreditava que esperavam que eu fosse", diz. Kéfera Buchmann Reprodução/@dani.producao Partindo de seu livro, a influenciadora afirma não concordar com a visão de mercado de histórias sáficas -- histórias de amor exclusivamente entre duas ou mais mulheres. "Para mim, o romance entre duas mulheres não precisa ser tratado como algo separado do gênero do livro, independentemente de qual seja. Seraphine e Elyra simplesmente se apaixonam dentro dessa história", explica. "Eu queria que elas pudessem viver desejo, tensão, medo, conflito e amor com a mesma complexidade que casais heterossexuais sempre tiveram nesse gênero. Inclusive, eu sempre busco, em livrarias, romances sáficos que não necessariamente abordem a sexualidade das personagens como um problema, e sim como só mais uma informação sobre elas", ressalta. Próximos passos Kéfera conta que seu novo lançamento trouxe à tona novamente seu interesse pelo universo literário. "Posso dizer que Vestida de Medo reacendeu muito a minha vontade de escrever ficção. Tenho vontade de continuar explorando histórias mais adultas, sombrias e com personagens que não sejam tão fáceis de definir como boas ou ruins", diz. "Inclusive, já existem outras ideias sendo desenvolvidas, e uma delas vai para um lugar bem diferente da fantasia, mas continua brincando com suspense, moralidade e com aquela sensação de 'eu não deveria estar torcendo por essa pessoa, mas estou'. Que é algo que eu amo!", detalha. Kéfera Buchmann Reprodução/Instagram Kéfera conta que tem planos para além da literatura. "Também continuo muito focada na atuação e quero cada vez mais me desafiar com personagens diferentes. Acho que estou vivendo uma fase em que tenho vontade de surpreender as pessoas, mas, principalmente, de me surpreender com as coisas que consigo criar". A influenciadora é autora da Galera Record e marca presença na Bienal do Livro SP nos dias 7 e 8 de setembro em três sessões de autógrafos, além das mesas: "Kéfera se veste de medo" e "Romantasia brasileira".

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