Katia Barbosa: três perguntas para a chef, que assina o almoço do Roxy aos fins de semana

Katia Barbosa: três perguntas para a chef, que assina o almoço do Roxy aos fins de semana - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Nome celebrado da cozinha brasileira, a chef Katia Barbosa agora divide a rotina do Sofia, na Praça da Bandeira, com o menu do almoço de fim de semana no Roxy, em Copacabana. Katia criou um cardápio especial para a casa, com receitas com sabores do país e do Rio, como seu ícone, o bolinho de feijoada. Em entrevista exclusiva, ela conta como foi voltar para a Zona Sul e quais são os destaques para o público. Como foi você voltar para a Zona Sul e justamente numa casa de show, com música ao vivo? Com casa de show, a gente já tinha alguma experiência no Rival. Eu fiz a feijoada do Rival, aos sábados, com samba. Era outra proposta, só feijoada, bem legal de fazer. Quando eu vim para cá, quando o Alexandre Accioly me convidou, imaginei que seria essa a proposta, uma feijoada, com um sambinha rolando. Mas ele me disse: "Não, eu quero almoço, quero que as pessoas olhem para o Roxy como um restaurante de comida brasileira". Eu olho para o Roxy como um restaurante de comida brasileira para turista. Sempre foi uma vontade minha ir para a Copacabana, desde sempre. Tanto que tentei um quiosque na orla, você sabe. Na verdade, eu não fiquei feliz de fazer o quiosque. As pessoas não iam para lá comer, elas comiam uma coisinha para a praia. Então não justificava para mim. Aí por um tempo eu procurei uma loja pequena para fazer comida brasileira. Não consegui. Aí também veio a pandemia, eu desisti, fechei tudo. E aí fiquei lá na Praça da Bandeira, abri o Sofia lá, enfim. Mas sempre ficou esse gostinho de que Copacabana é o lugar para a minha comida. O Rio de Janeiro é a porta de entrada do Brasil. Então é isso que eu quero. Eu quero que o turista entenda como é que a gente come, se comporta e vive. Então quando o Accioly falou: "Kaatia, eu quero um cardápio bem carioca, bem brasuca", achei uma tremenda oportunidade. É um desafio, porque é uma casa de show e porque é fechado, né? Mas a gente segue na firme determinação de apresentar para o turista uma comida carioca brasileira. Que é uma comida brasileira com aquele jeito carioca de comer. Então tem que ter os bolinhos, tem que ter o rissole. Estou muito feliz com isso. Como você montou o cardápio? O cardápio foi um desafio. São 600 lugares, e a gente tem 4 horas de serviço: do meio-dia às 4 da tarde Depois a gente tem que preparar a casa para o jantar. Esse cardápio precisou ser conversado com o chefe executivo daqui, que já tem a manha do serviço. Então, tudo teve que passar pelo crivo do Caio Silva. A gente, na verdade, acabou desenvolvendo esse cardápio juntos. Eu queria muito que tivesse uma cara carioca. O Accioly queria muito que tivesse camarão na moranga, que é um desafio, porque ela é toda feita na hora. Se 50 pessoas pedirem, a gente tem como entregar em 40 minutos uma moranga. A gente treinou, treinou, treinou. A gente ficou três semanas aqui: "Vambora, vambora, vambora. Quanto tempo, quanto tempo, quanto tempo para chegar a esse lugar". Eu queria que tivesse comida brasileira com o jeito carioca e que fosse um serviço rápido. E elegante como o Accioly quer. Foi um desafio grande, mas a gente chegou lá. Que pratos do menu são imperdíveis? Primeiro, eu abusei, achei um atrevimento: eu trouxe uma macarronese. O Accioly não sabia nem do que se tratava a macarronese. E aí eu falei, a gente pode encontrar um nome mais bonito, mas o carioca chama assim e todo mundo come muito. Eu acho imperdível a feijoada, porque é feita com feijão-vermelho orgânico, um feijão especial. Quando a gente tem que comprar, pede logo 100 quilos, para poder dar tempo de chegar e de a gente providenciar a feijoada. O caldinho de feijão é incrível. Não é um caldinho de feijão batido, é o caldo mesmo do cozimento da feijoada. A gente separa um pouco, refoga, tempera e solta. É quentinho, é aconchegante.

E o camarão na moranga, pelo amor de Deus! A estrela da casa deveria ser a feijoada, mas o camarão na moranga está lutando ali. Está disputando com a feijoada. A gente serve quase mesma quantidade. O Roxy fica na Rua Bolívar 45, Copacabana. A casa abre às 12h, no sábado e no domingo. Os preços dos pratos são: bolinho de feijoada (R$ 45, duas unidades); rissole de camarão (R$47, duas unidades); macarronese (R$57), salada de macarrão com maionese; camarão na moranga (R$ 295, para duas pessoas), com arroz branco e farofa; feijoada Roxy (R$ 169), para duas pessoas), com arroz branco, couve, farofa, laranja, banana frita e torresmo.

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