Kanye West: após saída de patrocinadores de festival, rapper pode ser banido do Reino Unido; entenda

 

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O Festival Wireless, marcado para julho, em Londres, bem que tentou chamar atenção ao anunciar Kanye West como o headliner de três dias de evento, mas agora corre sério risco de ficar descapitalizado e ser cancelado. Dois de seus principais patrocinadores, Pepsi e Diageo (dona da marca de uísque Johnnie Walker) retiraram o apoio ao festival. Os anúncios de saída vieram depois de Keri Stammer, primeiro-ministro britânico, criticar a presença do músico por suas posições antissemitas. West lançou, no ano passado, uma música batizada com a saudação nazista "Heil Hitler" e colocou à venda em seu site uma camiseta com estampa de suástica.

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“É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para se apresentar no Wireless Festival, apesar de suas declarações antissemitas anteriores e de sua apologia ao nazismo", disse Stammer. “O antissemitismo em qualquer forma é abominável e deve ser combatido de forma clara e firme onde quer que apareça. Todos têm a responsabilidade de garantir que a Grã-Bretanha seja um lugar onde os judeus se sintam seguros e protegidos”, acrescentou, em comentários divulgados inicialmente pelo jornal "The Sun on Sunday".

Logo depois, um porta-voz da Pepsi anunciou que a empresa "decidiu retirar seu patrocínio do festival Wireless." A Diageo, à Press Association, declarou: "Informamos aos organizadores sobre nossas preocupações e, no momento, a Diageo não patrocinará o festival Wireless de 2026." A Live Nation, responsável pelo festival, não respondeu ao contato feito pela AFP nem pelo "The Guardian".

Segundo o jornal "The Guardian", existe um conversa em instâncias políticas sobre negar a entrada do músico no país, visto que, aparentemente, ele ainda não submeteu um pedido oficial de entrada no Reino Unido pelas vias consulares. Ed Davey, o líder dos Democratas Liberais, pediu ao governo para proibir a entrada no músico: “Precisamos ser mais rigorosos com o antissemitismo.” Ele descreveu a escalação de West como “extremamente grave”.

A proibição da entrada de Kanye West não seria uma novidade recente por lá, embora casos específicos não sejam comentados pelo governo. Ainda de acordo com "The Guardian", a influenciadora anti-imigração holandesa Eva Vlaardingerbroek disse ter tido sua autorização para viajar sem visto para o Reino Unido revogada no início deste ano. As leis locais falam que a entrada de um estrangeiro pode ser negada "com base em seu caráter, conduta ou associações quando estes representarem uma ameaça à sociedade do Reino Unido". Na lista do Departamento de Home Office, estão descritos como inaceitáveis casos de envolvimento com extremismo ou "visões que fomentem o ódio que possa levar à violência entre comunidades no Reino Unido."

Em janeiro deste ano, Kanye West fez uma longa carta, publicada numa página inteira do "The Wall Street Journal", retratando-se do antisemitismo do passado, pedindo perdão a negros e judeus, e atribuindo suas atitudes a um distúrbio de bipolaridade. A turnê europeia de West já havia gerado polêmica antes. Na França, o prefeito de Marselha disse em março que o rapper não era bem-vindo.