Irã diz que resgate de piloto dos EUA pode ter sido fachada para 'roubar urânio enriquecido'

 

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O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira que a operação dos Estados Unidos para resgatar um de seus pilotos pode ter sido uma fachada para "roubar urânio enriquecido". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo que forças americanas resgataram, após mais de 40 horas, o segundo tripulante de um caça F-15E que caiu na sexta-feira em território iraniano, em uma missão de busca que classificou como "audaciosa".

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O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, disse que há "muitas dúvidas e incertezas" sobre a operação.

— A área onde se alegava que o piloto americano estava, na província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, fica muito distante da área onde tentaram pousar ou pretendiam pousar suas forças no centro do Irã — afirmou. — A possibilidade de que tenha sido uma operação de engano para roubar urânio enriquecido não deve ser ignorada de forma alguma.

Segundo Baqai, a ação representou um "desastre" para os Estados Unidos.

Operação de 40h, auxílio de Israel e bombas

Uma operação de resgate conduzida pelos Estados Unidos recuperou um oficial de sistemas de armas abatido em território iraniano após quase 40 horas de buscas intensas, em meio a uma disputa contra forças iranianas. Segundo o presidente Donald Trump, o militar foi encontrado com ferimentos, mas sem risco grave, e não houve baixas entre os americanos.

O episódio teve início na sexta-feira, quando um caça F-15E Strike Eagle foi atingido no sudoeste do Irã, no primeiro caso conhecido de uma aeronave de combate americana derrubada em território hostil desde o início do conflito, há pouco mais de um mês. O incidente representou um revés simbólico para o governo americano, que vinha enfatizando sua superioridade aérea.

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Os dois tripulantes conseguiram se ejetar. O piloto foi localizado poucas horas depois, enquanto o segundo militar passou a ser alvo de uma operação urgente de busca. Autoridades iranianas chegaram a oferecer recompensa de US$ 60 mil pela captura do oficial, incentivando a população a entregá-lo às forças locais.

O militar permaneceu escondido por mais de 24 horas em uma região montanhosa, chegando a escalar uma crista a mais de 2 mil metros de altitude para evitar a captura. Inicialmente sem localização precisa, ele acabou sendo encontrado com auxílio da CIA, o que permitiu o planejamento da operação de resgate.

A missão foi executada por comandos da equipe de elite SEAL Team 6, com apoio de centenas de militares. Durante a ação, aviões americanos bombardearam e dispararam contra comboios iranianos para manter distância do local, enquanto forças especiais garantiam a retirada sem confronto direto. Parte das aeronaves usadas na operação precisou ser destruída após ficar presa em um aeroporto abandonado.

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Israel colaborou com inteligência e interrompeu ataques na área para facilitar o resgate. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou a operação e destacou o princípio de que nenhum militar é deixado para trás. Já Trump afirmou que o sucesso da missão demonstra a superioridade aérea dos EUA sobre o Irã.

Há versões divergentes sobre as perdas. Enquanto Washington nega baixas, fontes iranianas relatam mortes de membros da Guarda Revolucionária e outras vítimas durante ataques na região. O comando militar iraniano também afirmou ter atingido três aeronaves americanas e declarou que a missão fracassou, versão que contrasta com a narrativa americana de sucesso total.