Kalil associa Vorcaro ao governo de Minas e diz nunca ter falado com o ex-banqueiro

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O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), candidato ao governo de Minas Gerais, associou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, à atual administração mineira e afirmou que cabe à gestão do governador mineiro, Mateus Simões (PSD), que assumiu o comando do Palácio Tiradentes após a renúncia de Romeu Zema (Novo), explicar os vínculos do empresário com a máquina estadual. Em sabatina promovida pelo Valor, O Globo e a Rádio CBN, Kalil ressaltou que, apesar de residir e atuar publicamente há décadas na capital mineira e de ter presidido o Clube Atlético Mineiro, jamais manteve contato com o dono do Banco Master, cidade natal de Vorcaro e com a qual o ex-banqueiro também possui conexões no futebol. “Eu acho engraçado esse negócio de Banco Master. Porque eu moro nessa cidade há 67 anos, fui presidente do Atlético por seis anos e, para quem não é daqui, não sabe a força que isso tem. Depois fui prefeito de Belo Horizonte por seis anos. E nunca conversei com esse caboclo [Vorcaro] nem por telefone, eu não sabia que ele existia”, declarou o candidato. Kalil questionou diretamente a presença de pessoas ligadas a Vorcaro na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e cobrou transparência do grupo político que comanda o Estado. “Então, quem tem que explicar esse cara é quem tem ligação com ele, que é o governo atual.” Crise no Supremo Indagado sobre as revelações envolvendo Vorcaro e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), o postulante ao governo mineiro apontou que o desgaste na Corte precisará ser resolvido internamente ou acabará enfrentando um desfecho por pressão externa. As apurações da Polícia Federal relativas ao Banco Master expuseram contatos do empresário com ministros do tribunal, aprofundando o clima de tensão no Judiciário. Para resumir sua análise sobre o momento institucional do STF, Kalil recorreu a uma declaração do ex-ministro Joaquim Barbosa: “Você resolve aqui dentro ou eles vão resolver lá fora”. Na visão do candidato, uma saída coordenada internamente causaria menor ruído às instituições, ainda que se declare “absolutamente estarrecido” com os montantes e as relações reveladas pelas investigações. Isenções fiscais Ao tratar da gestão financeira do Estado, Kalil prometeu acabar com o que classificou como uma “baderna” na concessão de incentivos tributários em Minas Gerais. O postulante ao governo declarou que, em uma eventual gestão, o Estado deixará de "pegar o dinheiro da dona de casa e entregar para um bilionário que ninguém sabe quem é". “Qual é a lógica governamental desse tipo de coisa? Então, eu vou fazer um corte tão profundo nessa baderna [isenções fiscais] que eu vou ter que mostrar”, destacou. O candidato apontou a contradição entre as contas públicas estaduais e os incentivos concedidos ao setor privado, citando que não faz sentido Minas Gerais projetar R$ 10 bilhões em prejuízos para 2027, enquanto concede mais de R$ 25 bilhões em isenções fiscais. Nesse contexto, Kalil condicionou qualquer reajuste salarial do funcionalismo público à reestruturação da política tributária mineira: “Não há a menor possibilidade de dar aumento para nenhum servidor público sem que se acabe com essa indecência dessa isenção de R$ 25 bilhões”, cravou. Privatizações Ao abordar as propostas de desestatização, Kalil afirmou ser favorável apenas à alienação de estatais deficitárias, citando que, se estivesse no governo federal, já teria privatizado os Correios. No entanto, garantiu que as principais companhias públicas mineiras continuarão sob controle do Estado por gerarem superávit. “Eu sou a favor da privatização de empresa que dá prejuízo, sim. Agora, a Cemig dá lucro. A Copasa [Companhia de Saneamento de Minas Gerais] dá lucro”, ressaltou. O ex-prefeito assegurou ainda que a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) também não será privatizada sob seu governo por ser lucrativa. Pesquisas eleitorais Durante a sabatina, o candidato do PDT fez um apelo direto aos eleitores mineiros para que não condicionem a escolha do voto aos levantamentos de intenção de voto, reiterando a avaliação de que o Estado vive um quadro de abandono. “Então, eu quero avisar para a população o seguinte: se você vai votar no Cleitinho, vote no Cleitinho. Se for votar no Patrus, vote no Patrus. Se você vai votar no Kalil, vote no Kalil, mas não deixe que nenhuma pesquisa interfira no seu voto”, enfatizou. No levantamento mais recente da Quaest, Kalil registra 8% das intenções de voto. Ele aparece atrás do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera a corrida pelo Palácio Tiradentes com 37%, e do ex-ministro Patrus Ananias (PT), que marca 16%. Mesmo diante dos índices atuais das pesquisas, Kalil demonstrou convicção de que avançará para a segunda etapa da eleição estadual. O ex-prefeito assinalou que não se preocupa em escolher adversário para um eventual segundo turno e criticou a postura do governo estadual na articulação política junto à União, avaliando que Minas perdeu espaço e representatividade em Brasília, "onde o dinheiro está". A série de sabatinas teve início ontem, com o governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD). Patrus Ananias e Cleitinho Azevedo ainda não confirmaram presença. Ambos alegam conflito de agenda.

Em sua entrevista, Simões acenou ao eleitor de direita ao falar em um cenário de unificação em torno do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), embora também tenha reiterado o apoio no primeiro turno a Romeu Zema (Novo), de quem era vice-governador. As sabatinas são realizadas no estúdio da CBN na capital mineira e conduzidas pela apresentadora da rádio Shirley Souza, Bela Megale, colunista do O Globo e Cibelle Bouças, repórter do Valor.

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