Justiça mantém MC Ryan SP, Poze do Rodo e demais alvos de operação da PF detidos após audiência de custódia
A Justiça Federal de São Paulo manteve MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e demais alvos de operação da Polícia Federal em prisão temporária, após eles passarem por audiência de custódia nesta quinta-feira (16). Os artistas, assim como produtores de funk e influenciadores, são apontados como parte de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$1,6 bilhão em 24 meses.
Em nota, a Justiça Federal informou para O GLOBO que as audiências de custódia previstas no caso foram todas concluídas pela 5ª Vara Federal de Santos, ao fim desta quinta. "Ao todo, 33 investigados foram apresentados à Justiça, no âmbito das medidas diligenciadas pelas autoridades competentes", informa a Justiça.
Todas as prisões temporárias foram mantidas. A única exceção foi o caso da influenciadora digital Débora Paixão, esposa do também influenciador Chrys Dias, outro alvo da operação. A Justiça determinou a prisão temporária para a mulher, com imposição de monitoramento eletrônico.
"Demais pedidos ainda pendentes de apreciação serão analisados posteriormente, após a oitiva da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), conforme o trâmite legal", diz a Justiça, que informa também que o caso tramita "sob sigilo absoluto, com acesso restrito às partes envolvidas".
A Polícia Federal prendeu também Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei. Também foram alvos os donos das produtoras de funk GR6, Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, e o fundador da Love Funk, Henrique Viana.
Segundo as investigações, o grupo atuava em esquemas de lavagem de capitais, com um sistema estruturado para ocultação e dissimulação de recursos. Entre os métodos identificados estão operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com ativos digitais.
De acordo com a PF, o grupo se utilizava de produtoras musicais e empresas de entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais, rifas digitais e tráfico. Também recorria a processadoras de pagamento, contas de passagem, empresas de fachada e “laranjas”. Para dificultar o rastreamento, realizava centenas de transferências fracionadas — técnica conhecida como “smurfing” — e empregava criptomoedas, especialmente USDT (Tether), para remessas internacionais e ocultação patrimonial.
O delegado regional de Polícia Judiciária Marcelo Maceira afirmou que a escolha de artistas e influenciadores era estratégica: a grande visibilidade e a intensa movimentação financeira facilitariam operações sem alerta imediato de sistemas de compliance bancário. O dinheiro ilícito, segundo ele, era apresentado como pagamento por publicidade, permitindo a aquisição de bens de luxo e a ostentação nas redes sociais.
Em nota, a defesa de MC Ryan afirma não ter acesso ao processo, que todas as transações têm origem comprovada e que os tributos foram recolhidos. A defesa de MC Poze do Rodo declarou desconhecer os autos e informou que se manifestará após acesso ao mandado. A GR6, empresa de Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, também alvo de mandado de prisão, afirmou que as transações citadas são lícitas, formalizadas e documentadas. A defesa de Raphael Sousa sustenta que ele não integra organização criminosa e atua apenas com publicidade digital.
A defesa da Love Funk e de Henrique Viana afirmou que o homem é um “empresário respeitado nacionalmente na indústria musical. A defesa reafirma a inocência do representado que não praticou crime algum. Sempre esteve à disposição e informa que se manifestará nos autos tão logo tenha acesso integral à investigação, adotando as medidas cabíveis”.
