Justiça eleitoral anula candidatura de Atiku e derruba candidatos

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

Um juízo eleitoral da Nigéria anulou nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, a candidatura de Atiku Abubakar à Presidência e derrubou todos os candidatos do partido Congresso Democrático Africano (ADC), incluindo a direção nacional da legenda. A decisão foi publicada pelo jornal nigeriano Premium Times, que cobre a corrida pelas eleições presidenciais de 2027.

Com a sentença, o principal oponente do presidente Bola Tinubu sai do tabuleiro a pouco mais de um ano da disputa, prevista para fevereiro de 2027. Atiku disputou a eleição de 2023 contra o atual presidente e derrotou a chapa governista em vários estados do norte muçulmano, sua base política tradicional.

O político de 79 anos é uma das figuras mais persistentes da política nigeriana. Foi vice-presidente do país entre 1999 e 2007 e tentou a Presidência em todas as eleições desde então, sempre como alternativa ao establishment do poder.

Para as eleições de 2027, Atiku migrou para o Congresso Democrático Africano, legenda que se tornou o abrigo da oposição unificada contra Tinubu. O partido também abriga nomes ligados a Peter Obi, terceiro colocado na corrida de 2023 e líder das mobilizações entre eleitores jovens e urbanos.

A decisão judicial atinge a cúpula e todos os candidatos registrados pela legenda, o que compromete a estrutura da oposição de uma só vez, e não apenas a candidatura presidencial de Atiku. O clima da pré-campanha já era tenso antes da sentença.

A polícia nigeriana prendeu nesta semana um suspeito de participar do ataque à comitiva de Peter Obi, segundo registro do Premium Times. O partido do ex-governador vinha denunciando hostilidades contra atos de campanha.

Atiku organizava comícios pelo interior do país quando a decisão foi conhecida, em um esforço para transformar a aliança em torno do ADC na plataforma principal da oposição. O calendário eleitoral é definido pela Comissão Eleitoral Nacional Independente, que costuma abrir a janela oficial de campanha no início do ano da votação.

A batalha jurídica sobre candidaturas nas semanas anteriores a essa janela é parte do jogo político nigeriano, e tribunais costumam ser acionados por rivais internos e externos das legendas. Não há registro, na cobertura disponível, de qual partido ou qual fração interna apresentou a ação que resultou na anulação, nem do argumento jurídico acolhido pelo juízo.

A decisão pode ainda ser objeto de recurso em instâncias superiores, caminho tradicional nesse tipo de litígio. A anulação de uma chapa inteira, e não apenas de uma candidatura, é desdobramento que afeta eleições proporcionais e estaduais onde o ADC lançou nomes.

A direção nacional da legenda também foi afastada pela sentença, o que complica a resposta política imediata do partido. Para Tinubu, o desfecho judicial chega em momento de fragilidade econômica e política do governo.

O presidente chegou ao poder em 2023 com a promessa de reformas rápidas e enfrenta desde então críticas duras por inflação alta e perda de poder de compra da população. A oposição nigeriana vive desde as últimas eleições um processo de reagrupamento.

O PDP, partido de Atiku nas eleições anteriores, perdeu força após derrotas internas e saídas de nomes importantes, cenário que favoreceu a construção da aliança em torno do ADC. A reação oficial do partido à sentença ainda não foi detalhada pela cobertura consultada.

Defesa de Atiku e da direção nacional do ADC devem recorrer, se confirmada a estratégia jurídica dos advogados da legenda. O caso acompanha uma sequência de fatos que colocam a lisura da disputa de 2027 no centro do debate nigeriano, entre a anulação das candidaturas da oposição e o ataque à comitiva de um de seus principais líderes.

A história recente do país pesa nesse cálculo. As eleições de 2023 foram marcadas por atrasos na apuração e denúncias de irregularidades que chegaram ao tribunal eleitoral, e o fortalecimento das instituições eleitorais é tema recorrente de debate público na Nigéria.

O próximo passo é o desdobramento jurídico da sentença e a resposta do Congresso Democrático Africano, que precisa definir em poucas semanas como reconstruir suas chapas a tempo das convenções partidárias que antecedem a eleição de fevereiro de 2027.

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