No fim da noite de quarta-feira, uma imagem captada por fotógrafos mostrando o presidente dos EUA, Donald Trump, sentado a bordo do Air Force One causou comoção em Washington, reporta o jornal The New York Times. A imagem retrata Trump, de boné, olhando para um grande cartaz em que aparecia a inscrição “Kennedy Center DEMOLIDO”. Leia também: Juiz rejeita inclusão do nome de Trump no Kennedy Center, em Washington Corte dos EUA derrota Trump e preserva regras de votação pelo correio Juiz suspende restrições de Trump à validade de vistos de estudantes e jornalistas estrangeiros
O flagrante ocorre após meses de batalha judicial da Casa Branca na Justiça americana para que Trump — que designou uma maioria de aliados para o conselho da instituição cultural que celebra a memória do presidente democrata assassinado em 1963 — possa colocar o próprio nome na fachada do prédio, à frente do de John Kennedy. A instituição foi aberta em 1971, na capital americana.
Em maio, o nome de Trump foi removido da fachada por decisão judicial e, desde então, a Justiça de primeira instância tem derrotado as tentativas do Departamento de Justiça para que o republicano seja incluído no memorial de Kennedy. Nesta semana, o conselho decidiu que o centro deve ficar fechado por até dois anos para reparos e reformas, orçadas em US$ 257 milhões, reporta a Reuters — a começar por um fechamento de “emergência”, por sete dias.
Na imagem do avião, aparece também a bordo, de pé junto a Trump, Bill Pulte, um empresário aliado do presidente que ocupou brevemente a direção da inteligência nacional, este ano, e que agora está na direção da Agência Federal de Financiamento Imobiliário (FHFA, na sigla em inglês), o principal órgão federal para a habitação.
As fotos foram incorporadas à ação movida pela deputada democrata Joyce Beatty que, como representante parlamentar, tem também assento no conselho do Kennedy Center, atualmente controlado por pessoas leais a Trump. Ela se opôs ao fechamento do centro decidido nesta semana e pediu, na Justiça, garantias “claras” de que o prédio não venha a ser demolido.
Um juiz distrital já havia se manifestado, por duas vezes, que nem Trump nem o conselho do centro podem mudar o nome da instituição sem autorização do Congresso americano.
A ação também destaca que Trump pretende retirar recursos destinados à reforma se não houver alteração do nome da instituição. Ontem, em conversa com jornalistas na Carolina do Norte antes de embarcar no Air Force One, o presidente americano disse que o seu governo merecia o “reconhecimento”. “Francamente, se não fizermos, vai fechar. E terminará sendo colocado abaixo”. Em fevereiro, observa o NYT, Trump havia afirmado o oposto, ou seja, que não havia risco de demolir o centro.
O juiz federal Christopher Cooper, que tem acompanhado o caso, decidiu hoje que nenhum trabalho de eventual demolição do prédio possa ser iniciado sem aviso prévio de ao menos 30 dias pela Casa Branca.
Valor