Um tribunal da Guatemala condenou nesta quarta-feira sete ex-policiais a penas de até 60 anos de prisão pela execução extrajudicial de um casal gay, formado pelo guatemalteco Eldin Choc, de 28 anos, e pelo salvadorenho-canadense Milton Santamaría, de 45. O crime, ocorrido em abril de 2024, foi denunciado por organizações de defesa dos direitos humanos como um ato de homofobia. Entenda: Casal que abusou de sete crianças e as forçou a conviver com animais é condenado a 30 meses de prisão Encontrada na carga: Raposa viaja 4.800 km escondida em navio da Inglaterra e é descoberta ao chegar a porto de Nova York As vítimas foram detidas em 18 de abril daquele ano no município de San Andrés Itzapa, no oeste do país, supostamente após um desentendimento em uma loja. Segundo o promotor Marco Escobar, os agentes as levaram à delegacia local, onde as espancaram, torturaram e executaram por preconceito e por causa de "expressões homofóbicas". "É algo abominável", declarou a juíza María Castellanos ao ler a sentença. Para encobrir o crime, Santamaría foi levado a um hospital, enquanto o corpo de Choc foi encontrado dias depois em uma ravina, com uma das mãos mutilada. Os policiais alegaram que os dois haviam morrido em um acidente de trânsito. Penas chegam a 60 anos de prisão Edy Vásquez, então chefe da polícia de Itzapa, foi condenado a 60 anos de prisão. Ele havia sido detido dois meses após o crime em uma cidade fronteiriça do Texas, no sul dos Estados Unidos, e deportado para a Guatemala. Outro ex-agente recebeu a mesma pena, enquanto um terceiro foi condenado a 30 anos pelo crime de execução extrajudicial. Duas mulheres que também eram policiais receberam penas de 11 anos de prisão por descumprimento de deveres e discriminação. Segundo a sentença, elas dirigiram "palavras homofóbicas" às vítimas. Os outros dois acusados foram condenados a oito e dez anos por detenção ilegal, abuso de autoridade, obstrução da ação penal e descumprimento de deveres. Uma prova fundamental no processo foram gravações de áudio feitas durante as torturas por uma agente que denunciou os fatos a seus superiores. Em 2025 e 2026, dois bombeiros também foram condenados a um e três anos de prisão, respectivamente, com possibilidade de conversão das penas, após confessarem que, sob pressão dos policiais, encobriram o fato de que Santamaría já estava morto quando foi levado ao hospital. Família comemora decisão Henry Choc, irmão de Eldin, afirmou a jornalistas estar "satisfeito" com a condenação porque "a justiça foi feita". "Era importante que o caso não ficasse impune", disse à AFP Abraham Abrego, diretor jurídico da organização Cristosal, que atuou como parte acusadora no processo. "Este é claramente um crime motivado por preconceito", acrescentou. A Anistia Internacional e três organizações locais também se manifestaram sobre o caso. "Este caso se soma a muitos outros crimes de ódio contra pessoas LGBTQIAPN+ na Guatemala", afirmaram em comunicado. Diante do tribunal, ativistas acenderam velas e exibiram uma faixa com a frase "A homofobia mata". O crime de ódio não está tipificado na legislação da Guatemala. Segundo a Associação Lambda, organização guatemalteca de defesa dos direitos humanos, cerca de 30 pessoas LGBTQIAPN+ morreram de forma violenta no país em 2025.
Justiça da Guatemala condena sete ex-policiais por tortura e execução de casal gay
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O Globo
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