Juros moderadamente mais altos equilibrariam melhor as perspectivas e os riscos, diz Logan, do Fed
A presidente da distrital de Dallas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Lorie Logan, voltou a defender uma política moderadamente mais restritiva, ao argumentar que juros mais altos equilibrariam melhor as perspectivas e os riscos para ambos os lados do mandato do banco central americano.
Logan, uma das dirigentes com viés mais conservador (“hawkish”) do Fed, avaliou que a inflação americana não aparenta caminhar de forma sustentável em direção à meta de 2%, mas, na verdade, para próximo de 2,5%.
A presidente da distrital de Dallas também abordou as leituras de inflação mais baixas do que o esperado para o mês de junho e disse que um mês de alívio não é o suficiente.
“É hora de concluir o trabalho de estabilidade de preços.”
Ao tratar do último índice de preços ao consumidor (CPI), divulgado esta semana, Logan reconheceu que os dados sugerem um cenário mais promissor, no qual a inflação pode retornar à meta, especialmente se as tendências nos setores de habitação e serviços se mantiverem.
“Por ora, trata-se mais de uma esperança do que de uma probabilidade concreta”, alertou.
O mercado de trabalho americano, segundo Logan, está equilibrado e até se fortalecendo, sem gerar pressões inflacionárias.
Nesse contexto, ela avaliou que os riscos para a inflação seguem inclinados para cima, enquanto os riscos de baixa para o mandato de pleno emprego diminuíram ao longo do último ano.
“Na ausência de restrições de política econômica, é provável que esse cenário persista até a ocorrência de um choque inesperado”, afirmou.
Com base em dados de consumo e financeiros, Logan também afirmou que a política monetária não está restringindo a economia americana.
“Melhor uma restrição moderada agora do que uma restrição severa mais tarde”, acrescentou.
Questionada sobre a transição no comando do Fed, Logan disse que a sucessão de Jerome Powell para Kevin Warsh tem sido suave e elogiou ambos os dirigentes.
Logan também tratou sobre as mudanças na condução do balanço de ativos e mostrou algumas ressalvas quanto à redução desse balanço.
“Nosso objetivo deveria ser a efetividade, não apenas reduzi-lo como um fim por si só”, disse.
A dirigente também mencionou que uma forma de diminuir os ativos na carteira do Fed seria através de mudanças regulatórias, as quais levariam os bancos a precisar de menos reservas e diminuiria o tamanho do balanço, mantendo a liquidez do sistema financeiro.
Lorie Logan, presidente da distrital de Dallas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano)
Shelby Tauber/Bloomberg
