Vieira: O que incomoda aos EUA é o Brasil não se curvar às demandas; EUA exigiam capitulação
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o que causa incômodo aos Estados Unidos é o fato de o Brasil não se "curvar às demandas irrazoáveis” apresentadas durante a investigação americana com base na Seção 301, sobre políticas de outros países consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Na visão do governo brasileiro, a gestão de Donald Trump exigia "capitulação".
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"Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das investigações", disse o chanceler à imprensa nesta quinta-feira (16) no Palácio Itamaraty.
O ministro citou, então, que os EUA exigiam "demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos" de setores da economia brasileira, "sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros".
"Em outras palavras, exigiam capitulação", comentou.
Vieira rebateu as alegações dos EUA para justificar as tarifas e disse que elas não têm "lastro" na realidade.
Na visão dele, a investigação com base a Seção 301 serviu para compensar, do ponto de vista legal, a “derrota do governo dos Estados Unidos na Suprema Corte sobre a política unilateral de aplicação de tarifas a todos os países".
Ele disse, por exemplo, que as declarações de autoridades americanas sobre o Pix são descabidas, pois não há competição desleal no método de pagamento.
Comentou ainda que as declarações sobre o desmatamento brasileiro são "absurdas".
"As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para a adoção de tarifas contra os produtos brasileiros", concluiu.
Ele relembrou os esforços do governo Lula durante as negociações.
Disse que as gestões brasileira e americana negociam desde antes do "tarifaço original", em 2 de abril.
Vieira também comentou a carta divulgada por Trump em julho do ano passado, em que elevou as tarifas a produtos brasileiros para 50%, e pontuou "motivação política, em tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro".
Vieira disse que, desde o primeiro momento, Lula buscou diálogo e enfatizou disposição em negociar qualquer tema.
"Apesar da motivação política, Brasil participou nas investigações pelos canais de interlocução entre governos", disse.
Segundo ele, o Brasil apresentou duas defesas escritas, uma em 18 de agosto e outra em 10 de setembro de 2025, para defender que não há prejuízo ao comércio dos EUA.
O governo americano publicou na madrugada desta quinta-feira a resolução que estabelece tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil.
A tarifa, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, entrará em vigor na próxima quarta-feira (22).
Comunicado da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou como "um marco lastimável" a decisão do governo americano.
Segundo o texto, o "iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade".
A tarifa foi anunciada no começo desta quinta-feira pelo governo dos EUA.
Brenno Carvalho/Agência O Globo
