O ambiente de negócios em 2027 deve ser ditado por quatro temas: ajuste fiscal, juros elevados, reforma tributária e alterações no mercado de trabalho. O problema é que nenhum deles tem resposta clara neste momento.
Enquanto o mercado aposta em uma estratégia econômica de gastos no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, empresas se preparam para um ano em que decisões de investimento, contratação e expansão dependerão justamente da evolução dessas variáveis.O pano de fundo não é trivial.
A dívida bruta brasileira está próxima de 83% do PIB e segue em trajetória de alta, enquanto as projeções de mercado apontam crescimento econômico próximo de 1,3% em 2027, inflação ao redor de 4,3% e taxa Selic ainda em torno de 12% ao final do próximo ano.Nesse contexto, economistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que a principal discussão para o empresário deixou de ser política e passou a ser econômica: quanto custará investir, contratar, tomar crédito e crescer no Brasil.Antes de tudo, o ajuste fiscalO ajuste fiscal por parte do governo federal é um tema capaz de influenciar todas as demais decisões das empresas em 2027, porque determina o custo do crédito, as condições de financiamento das empresas, a confiança para investir e até o ritmo de geração de empregos.O grande desafio é o momento da economia brasileira, que opera sob uma espécie de compensação entre duas políticas.
De um lado, o Banco Central mantém uma política monetária restritiva, usando juros elevados para controlar a inflação. De outro, o governo adota uma política fiscal expansionista, com gastos e estímulos destinados a sustentar atividade econômica, renda e emprego.Para Nelson Marconi, economista, mestre e doutor pela FGV EAESP e coordenador do curso de graduação em Administração Pública da instituição, essa combinação explica boa parte do cenário econômico atual.“O Banco Central aumentou os juros para perseguir a meta de inflação e o governo foi expansionista para responder a isso.
Esse cenário vai continuar até o governo fazer algum ajuste na política econômica. Tudo vai depender da disposição em fazer esse ajuste.
Sabe-se que precisa, mas não está claro o que será feito”.Para o economista, o mercado espera respostas relativamente rápidas, mas a própria trajetória dos governos petistas sugere que decisões dessa magnitude não costumam ocorrer de forma imediata.Fernando Fernandes, sócio da KPMG, também vê o ajuste fiscal como o principal tema econômico do próximo ano para os empresários.
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