Os juros futuros encerraram o pregão desta quarta-feira (29) com movimentos distintos ao longo da estrutura a termo da curva. Na ponta curta, as taxas terminaram em leve queda ou estáveis, ao passo que as taxas de longo prazo subiram.
O movimento provocou uma inclinação da estrutura a termo da curva e, assim, espelhou a dinâmica do mercado de Treasuries, que passou a precificar uma política monetária mais branda do Federal Reserve (Fed) no curto prazo, mas com prêmio de risco mais elevado à frente.
Além da decisão do BC americano de manter os juros e a coletiva do presidente da instituição, Kevin Warsh, os investidores operaram, hoje, atentos à situação no Oriente Médio. Uma nova ofensiva iraniana contra os EUA e a ameaça de retaliação de Donald Trump fizeram os preços do petróleo saltarem de volta aos US$ 90 por barril, gerando pressão na renda fixa global.
Ao fim do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 teve queda de 13,87%, do ajuste da véspera, para 13,85%; a do DI de janeiro de 2028 ficou estável em 13,975%; a do DI de janeiro de 2029 anotou alta de 14,225% para 14,25% e a do DI de janeiro de 2031 avançou de 14,465% a 14,515%.
Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dois anos caiu de 4,291% a 4,238%. Por outro lado, o rendimento da T-note de dez anos aumentou de 4,611% a 4,684% e o do T-bond de 30 anos foi de 5,092% para 5,204%.
Embora a decisão de manter os juros básicos americanos na faixa de 3,50% a 3,75% tenha trazido alívio ao mercado inicialmente, o humor dos investidores mudou durante a coletiva de Kevin Warsh. A postura firme do banqueiro central contra a inflação passou a ser alvo de questionamento do mercado, uma vez que ele evitou cravar a necessidade de juros mais altos apesar do descumprimento da meta de preços do Fed. “Diversos sinais reforçam a leitura de que Warsh, apesar da linguagem firme, resiste a subir juros”, diz Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, em nota. “[Warsh] Rejeitou o modelo canônico de trade-off entre inflação e emprego; enfatizou os canais de expectativas e credibilidade quase como substitutos de aperto [dos juros]; minimizou o dado corrente de inflação; e evitou validar a precificação de mercado que aponta uma alta probabilidade de alta em setembro, respondendo apenas que ‘não seremos limitados pelos preços de mercado’”, aponta o profissional. Para Rondinelli, Warsh pratica, no início de seu mandato no Fed, uma estratégia de falar duro, mas sem agir diretamente na política monetária, transferindo a responsabilidade de apertar as condições financeiras nos Estados Unidos ao próprio mercado. Com isso, os investidores reagiram com uma forte disparada dos juros longos americanos, o que se refletiu nas taxas futuras locais, em um aparente mal-estar com a ausência de um sinal mais claro de que o Fed agirá para, finalmente, levar a inflação a 2% após um longo período de descumprimento da meta. Ainda que o Fed tenha dominado as mesas de operação nesta quarta-feira, a disparada do petróleo diante da retomada das tensões no Oriente Médio também provocou alguma pressão sobre os juros futuros. Além disso, com os investidores focados no cenário externo, os números do Caged de junho sequer fizeram preço no mercado de juros, mesmo com uma criação de empregos formais de 145 mil, superando até o teto das projeções coletadas pelo Valor Data.
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