Julgamento do caso Henry: defesa de Jairinho diz que ex-namoradas foram 'aliciadas' por Leniel Borel
O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e da professora Monique Medeiros entra no quinto dia nesta sexta-feira, no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio, após uma sessão marcada por relatos de supostas agressões atribuídas ao ex-parlamentar, contradições em depoimentos e novos momentos de tensão no plenário. Para esta sexta-feira, estão previstos os depoimentos do médico-legista Luiz Airton Saavedra, que analisou os laudos cadavéricos do menino Henry Borel, e do perito Luiz Carlos Leal Prestes, da Polícia Civil.
Caso Henry: relatos de agressões contra crianças, contradições e bate-boca marcam quarto dia do júri de Jairinho e Monique
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Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunha e fraude processual. Na chegada ao tribunal, o advogado Fabiano Tadeu Lopes voltou a desmentir testemunhas ouvidas pela acusação no quarto dia de julgamento e afirmou que a defesa pretende sustentar que ex-companheiras de Jairinho teriam sido “aliciadas” por Leniel Borel, pai de Henry.
— Ontem (quinta-feira) quem depôs foram as ex do Jairinho, que foram aliciadas pelo Leniel, e nós vamos provar isso. O Cellebrite, um equipamento (usado para perícia digital) do Estado, já provou que elas foram aliciadas pelo Leniel. Leniel foi atrás, Leniel que organizou, Leniel que levou, inclusive dentro do escritório de advocacia do advogado dele, para que elas pudessem ir na delegacia — afirmou Fabiano.
Leniel Borel, pai de Henry, durante a chegada ao tribunal em um dos dias de julgamento nesta semana
Gabriel de Paiva/Agência O Globo
O advogado afirmou ainda que a defesa pretende questionar os laudos produzidos durante a investigação, além de alegar que houve irregularidades no andamento do caso.
— Nós vamos demonstrar categoricamente através do Cellebrite. Esse software mostrou que os laudos foram transformados, modificados a partir do quinto laudo. Tudo aconteceu dentro de um sistema de, posso dizer, corrupção. Foi no mínimo imoral — declarou o advogado de Jairo.
Dia anterior teve relatos de agressões e tensão no plenário
A quinta-feira, quarto dia do júri, foi marcada pelos depoimentos da empregada doméstica Leila Rosângela Mattos, de ex-companheiras de Jairinho e de parentes que relataram episódios de supostas agressões envolvendo crianças.
A sessão começou com atraso após uma jurada passar mal antes do início dos trabalhos. Ela recebeu atendimento médico e o julgamento foi mantido. Em júris populares, não há suplentes. Caso um jurado precise ser afastado definitivamente, a sessão é anulada e precisa recomeçar do zero.
Funcionária da casa onde Henry morreu, Leila Rosângela pediu para depor sem a presença dos réus. Em plenário, ela negou ou disse não se lembrar de declarações anteriores prestadas à polícia. Inicialmente, afirmou que Henry saiu “normal” do quarto onde havia permanecido sozinho com o então padrasto e negou ter visto o menino mancando.
Após insistência da acusação, porém, reconheceu que ouviu a babá questionar Henry sobre dificuldade para andar e mudou parcialmente a versão:
— Ele saiu assustado, não apavorado. A palavra é essa.
A promotoria também exibiu mensagens trocadas entre Leila e Monique após a morte de Henry para contestar a afirmação da testemunha de que não teria voltado a trabalhar no apartamento depois do crime.
Outra testemunha ouvida foi a cabeleireira Tereza Cristina de Souza, que afirmou ter presenciado uma chamada de vídeo entre Monique e Henry em um salão de beleza. Segundo ela, o menino estava “choroso” e disse que o “tio” havia lhe dado uma “banda”.
De acordo com Tereza, após a ligação, Monique telefonou para um homem que ela deduziu ser Jairinho para reclamar do comentário feito pelo filho. Segundo a testemunha, o homem respondeu que demitiria a babá porque ela seria “fofoqueira”.
Já a manicure Paloma Meireles confirmou o relato da cabeleireira e afirmou que Monique aparentava estar exaltada durante a conversa. Um dos depoimentos de maior impacto do dia foi o de Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada de Jairinho. Hoje maior de idade, ela afirmou ter sofrido agressões do então padrasto quando era criança.
Segundo Kaylane, Jairinho a buscava em casa dizendo que a levaria para restaurantes, mas os encontros aconteciam em um local que ela acredita hoje ser um motel.
— Ele falava que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste — disse a jovem, ao relatar por que não revelava as agressões, citando socos, tapas e afogamentos na piscina.
Outra ex-companheira de Jairinho, Déborah Mello Saraiva, também prestou depoimento. Ela afirmou que o filho Enzo, então com cerca de 2 ou 3 anos, revelou anos depois que Jairinho teria colocado pano e papel em sua boca enquanto pisava em sua barriga.
Em dado momento, a juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu a sessão ao suspeitar que uma advogada observava as anotações feitas pelos jurados, o que gerou tensão no plenário. A magistrada advertiu a mulher e afirmou que a retiraria do local caso a situação se repetisse. A advogada deixou o tribunal após o episódio e negou qualquer irregularidade.
