Judoca cubana encontra no Brasil caminho para crescer no esporte que ama

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Aos 16 anos, Bárbara Camila Galis Díaz viveu uma experiência especial nesta quarta-feira (21). Nascida em Havana, capital de Cuba, a judoca se mudou com a família para Foz do Iguaçu há quatro anos e teve a oportunidade de representar o Paraná nos Jogos da Juventude 2026 justamente na cidade que escolheu para morar. A estreia teve vitória por ippon sobre Júlia da Silva Abadias, do Rio Grande do Sul, diante da torcida de familiares e amigos nas arquibancadas. Na sequência, porém, ela acabou sendo superada por Maria Valentina Martins, do Rio Grande do Norte, nos segundos finais da disputa da categoria acima de 70kg.

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“É muito emocionante. Foi a minha primeira vez competindo nos Jogos da Juventude e foi uma experiência única. Porque o importante, além de ganhar, são as memórias e os bons momentos. É bastante legal estar aqui”, comentou a atleta após deixar o tatame localizado no Centro de Convivência. O resultado da segunda luta não diminuiu o significado da participação para a jovem e seus familiares. Competir em um dos principais eventos nacionais de base, na cidade onde construíram uma nova vida, tornou a experiência ainda mais marcante para a família Galis Díaz.

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“Vale muito a pena”

A mudança para o Brasil teve como um dos principais objetivos ampliar as oportunidades de Bárbara no judô. Depois de deixar Havana, a família se estabeleceu em Foz do Iguaçu, onde a atleta treina na Academia Iguaçuense de Judô (AIJ), sob orientação do sensei Pedro Tonello, que também integra a comissão técnica do Paraná nos Jogos da Juventude. Dessa vez, os familiares puderam acompanhar de perto cada momento da competição e torcer pela judoca nas arquibancadas. A emoção foi grande também para a mãe, Leyanys Díaz del Valle.

“Estou muito mais nervosa do que ela, muito mais”, brincou Leyanys Díaz del Valle, mãe de Bárbara. “É muito sacrifício, as pessoas não sabem o que tem por trás do judô e tudo o que a gente faz. Mas vale a pena, vale muito a pena”, complementou. Entre a comemoração pelo ippon na estreia e a frustração da derrota nos instantes finais do segundo combate, Bárbara experimentou diferentes emoções proporcionadas pelo esporte. Desta vez, no entanto, pôde dividir tudo isso com a família na cidade que escolheram para construir uma nova história. “Me sinto bastante grata. É legal saber que minha família me apoia e eu amo eles, estou muito feliz [com essa possibilidade”, concluiu a jovem.

Do cuidado com a saúde ao sonho de competir no judô

A história de Bárbara Camila Galis Díaz com o judô começou quando ela tinha apenas oito anos. Na época, a preocupação era com a saúde: a menina estava acima do peso e encontrou na modalidade uma oportunidade para mudar seus hábitos. A escolha também teve influência familiar, já que um de seus tios praticava judô na universidade. Com o tempo, o que começou como uma atividade para cuidar da saúde se transformou em paixão pela modalidade e pelo ambiente competitivo. “Fui gostando muito do judô e eu gosto de competir”, brincou a atleta.

O desenvolvimento da atleta levou a família a tomar uma decisão importante: deixar Cuba e se estabelecer no Brasil, país que se consolidou como uma das principais forças do judô no continente. No cenário olímpico, os brasileiros conquistam medalhas na modalidade desde os Jogos de Los Angeles, em 1984. A mudança exigiu coragem e uma série de sacrifícios, mas a evolução da judoca reforçou a escolha feita pela família.

“No começo a gente pensava ‘será que vai dar?’. Mas ela foi evoluindo, evoluindo e deixei meu país por isso, para que ela fosse em frente com o judô”, explicou a mãe. “Deixamos tudo para trás, mas não cobro nada dela. Só falo para ela ir em frente, e ela está ganhando já. Estar competindo aqui já é uma vitória”. Quase quatro anos depois da chegada ao Brasil, Bárbara segue construindo sua trajetória esportiva em Foz do Iguaçu. A jornada trouxe desafios, mas a mãe não tem dúvidas de que faria novamente a mesma escolha para apoiar o sonho da filha. “Valeu a pena deixar tudo atrás. Faria um milhão de vezes”, concluiu Leyanys Díaz del Valle.

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