Jordânia diz ter matado militantes do Estado Islâmico em ataques aéreos

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Fonte da notícia: Valor Valor

A Jordânia afirmou nesta terça-feira (27) ter matado mais de 20 militantes do Estado Islâmico em bombardeios no sul da Síria, na noite anterior. A ofensiva ocorreu após um ataque a uma igreja em território jordaniano, que foi associado pelas autoridades a militantes que atuam do outro lado da fronteira.

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Os episódios foram responsáveis por aumentar as tensões entre os dois aliados dos Estados Unidos. A Jordânia é uma parceira de longa data de Washington no combate ao extremismo, enquanto o governo de orientação islamista do presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, afirmou que procura conter o extremismo.

Al-Sharaa tem buscado restabelecer as relações do país com o Ocidente após derrubar o governante de longa data Bashar al-Assad, em 2024. A Síria afirmou que os ataques mataram sete pessoas, incluindo três crianças e uma mulher.

A Jordânia lamenta as mortes de civis, disse o ministro da Comunicação do governo, Mohammed al-Momani, em uma publicação no X. A Jordânia informou na segunda-feira que sua Força Aérea havia atacado o que descreveu como esconderijos de militantes no sul da Síria, após determinar que os suspeitos por trás do ataque à igreja na semana passada tinham ligações com "grupos terroristas" sediados naquela região.

Autoridades de segurança jordanianas disseram, separadamente, que as forças de segurança prenderam dois irmãos e o cunhado deles após uma troca de tiros relacionada ao ataque à igreja, que deixou nove mortos. O morador local Salah Mahwash, em entrevista à Reuters durante o funeral de quatro pessoas, incluindo três crianças, em Al-Mismiyah, no sul da Síria, afirmou:

"Por volta das 22h [horário local], houve uma explosão e ouvimos o som de aviões sobrevoando a região. Fomos até o local e encontramos uma família pobre cujo pai havia desaparecido durante os acontecimentos e estava na prisão de Sednaya.

"Hoje, como vocês podem ver, são pessoas que estão apenas tentando ganhar a vida, cuidando de suas ovelhas e cabras e fazendo trabalhos braçais. Condenamos o que aconteceu no Estado jordaniano, é claro."

Ataques como o tiroteio na igreja são raros na Jordânia, um aliado relativamente estável dos EUA no Oriente Médio. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque, embora a Jordânia tenha afirmado que os militantes que teve como alvo na Síria eram integrantes do Estado Islâmico.

Os bombardeios de segunda-feira, no entanto, provocaram indignação na Síria. Enquanto os militares jordanianos afirmaram que os ataques foram realizados em coordenação com Damasco, o governo sírio disse que ocorreram sem coordenação prévia.

Também anunciou que abriria uma investigação. Declarações feitas nos últimos dias por autoridades jordanianas, segundo as quais aparentemente não houve planejamento prévio do ataque à igreja, aumentaram a confusão, parecendo contradizer a justificativa da Jordânia para os bombardeios de segunda-feira do outro lado da fronteira.

O Ministério das Relações Exteriores da Síria condenou os ataques como uma violação da soberania do país. A pasta afirmou, no entanto, que Damasco estava coordenando ações com Amã e estabeleceria um comitê conjunto de segurança para reforçar a segurança na fronteira e evitar incidentes semelhantes.

No ano passado, Jordânia e Síria concordaram em formar um comitê desse tipo para proteger sua fronteira, combater o contrabando de armas e drogas e trabalhar para impedir qualquer ressurgimento da atividade militante do Estado Islâmico.

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