‘Jogo perfeito’, 'Demonstração da excelência' e mais: especialistas analisam o duelo de nove gols entre PSG e Bayern, na Champions

 

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Era o confronto mais aguardado do ano para os fãs de futebol: Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, pelas semifinais da Liga dos Campeões. Afinal, não é todo dia que os dois melhores times da atualidade, recheados de estrelas, se enfrentam em uma fase aguda de uma das maiores competições do mundo. E o que foi visto ontem no Parque dos Príncipes, em Paris, superou qualquer expectativa. No melhor jogo do ano — talvez dos últimos muitos anos —, os times comandados por Luis Enrique e Vincent Kompany protagonizaram tudo o que o torcedor mais ama: futebol ofensivo, com belas jogadas, gols e sem perda de tempo. Resultado: vitória do PSG por 5 a 4 em um duelo marcado por reviravoltas.

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— Tivemos a demonstração de excelência do que o futebol mundial pode apresentar em termos de técnica, tática, velocidade, intensidade, qualidade — analisou Leonardo Bertozzi, da ESPN. — Duas equipes que buscam o protagonismo o tempo inteiro, o jogo direto, querem recuperar a bola o quanto antes e o mais perto possível do gol adversário, procuram marcar o campo inteiro, sabem que vão assumir riscos e preferem assumir esses riscos.

Harry Kane, em pênalti sofrido por Luis Díaz, abriu o placar para os bávaros; Kvaratskhelia e João Neves viraram para os parisienses; Olise deixou tudo igual. Nos acréscimos, Dembélé, após mão de Davies na área, colocou novamente o PSG na frente. Na segunda etapa, Kvaratskhelia e Dembélé ensaiaram uma goleada para os donos da casa. Mas, em uma rápida reação, Upamecano e Díaz deixaram o time alemão mais vivo do que nunca.

'Apoteose do futebol'

Harry Kane, do Bayern, comemorando o gol

ALAIN JOCARD / AFP

— São dois times muito bons em acelerar a jogadas, serem verticais. Foi o que eu imaginava, eu achava que seria um jogo histórico, tive esse pressentimento e falei isso antes da partida começar: Era a apoteose do futebol — diz Vitor Sérgio Rodrigues, comentarista da TNT e da HBO Max.

VSR, como também é conhecido, comparou o futebol sul-americano com o europeu, ressaltando que a vontade de se manter a bola rolando foi um diferencial para o espetáculo.

— São dois times preocupados em jogar. Se compararmos com a América do Sul, vemos claramente que ninguém fez cera, demorou no lateral ou tentou levar vantagem do árbitro ou com tumulto. Essas duas situações possibilitaram o jogo antológico que tivemos. Quando o PSG abriu 5 a 2, se fosse time brasileiro, não teria mais jogo. Fariam cera, o goleiro cairia no chão — avalia Vitor Sérgio Rodrigues, comentarista da TNT e da HBO Max.

Seleções mundiais

Dembele, do PSG, na Champions League

FRANCK FIFE / AFP

Campeão alemão antecipado e na final da Copa da Alemanha, o time de Munique sonha com a tríplice coroa confiando em um dos ataques mais letais que já se viu: 171 gols em 50 jogos na temporada, assombrosa média de 3,42 por partida. A equipe francesa, por sua vez, não faz uma temporada tão dominante, mas está próxima de mais um título nacional e voltou a apresentar um futebol próximo do que a levou ao topo da Europa no ano passado. São 120 gols nos mesmos 50 jogos. Média de 2,4.

O repertório ofensivo dos clubes também foi ponto de análise de Ubiratan Leal, comentarista da ESPN.

— Do ponto de vista técnico, me chama muito a atenção o nível dos atacantes dos dois times. Em determinado momento no segundo tempo, o jogo já estava 5 a 4, faltava cerca de 15 minutos para acabar e a transmissão da Uefa informou que o duelo tinha finalizações certas, 5 a 5, em finalizações certas de cada lado e o placar era 5 a 4. Ou seja, de todas as finalizações certas, só uma não entrou que foi uma defesa do Safonov — disse Leal. — se você olha os gols não teve nenhuma falha do goleiro, nem uma falha clamorosa. Por quê? Porque foram finalizações muito bem feitas.

O jogo de ontem foi também um aperitivo para a Copa do Mundo, que começa no dia 11 de junho. Eram praticamente duas seleções em campo. Dos 29 jogadores que atuaram, entre titulares e reservas, apenas Kvaratskhelia e Safonov não têm chances de ir ao Mundial, já que Geórgia e Rússia não se classificaram. Dos demais, salvo um ou outro menos cotados, quase todos estão garantidos. Destaque para grandes nomes de suas seleções, como a tropa francesa: Dembélé, Olise e Doué; Harry Kane (Inglaterra); Neuer (Alemanha); Marquinhos (Brasil); Hakimi (Marrocos); Luis Díaz (Colômbia) e os portugueses Vitinha e João Neves.

— Kane é, sem dúvidas, o melhor jogador do mundo na temporada. Ele, Dembélé e Olise têm condições de fazer uma grande Copa do Mundo, principalmente os franceses, que além de grandes destaques individuais, ainda estão inseridos num ótimo contexto coletivo — avaliou Pedro Moreno, do Sportv. PC Vasconcellos, do mesmo canal, concorda:

— As exibições desses jogadores sinalizam que nós vamos ter uma Copa de altíssimo nível. Dembélé, Kane, Olise foram destaques, mas tem Doué, Luis Díaz... Talvez a grande questão seja que brasileiro poderíamos incluir nesse grupo. Ouso dizer que Raphinha e Vini Jr. Mas, por ora, chegamos à Copa sem nenhum brasileiro nessa prateleira onde já estão esses outros.

Para a sorte dos fãs de futebol, Bayern e PSG se reencontram já na quarta-feira da semana que vem, para o jogo de volta, desta vez na Allianz Arena, em Munique, às 16h (horário de Brasília), com transmissão da TNT e da HBO Max. Na outra semifinal, Atlético de Madrid e Arsenal abrem hoje o confronto, às 16h, na Espanha, com exibição dos mesmos canais, sob a sombra de um espetáculo difícil de igualar.