João Paulo Charleaux lança novo livro e reflete que 'ausência de guerra nem sempre é paz'
O jornalista e escritor João Paulo Charleaux lança o livro "As Regras da Guerra", obra em que investiga a origem dos conflitos humanos e a evolução das normas que buscam limitar a violência ao longo da história.
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Em entrevista ao Estúdio CBN, Charleaux explicou que evidências arqueológicas apontam que conflitos por recursos básicos como água, alimento e território já existiam há mais de 13 mil anos, sem distinção de proteção entre civis, mulheres ou crianças.
"Os primeiros vestígios arqueológicos de violência intergrupal — o que é violência intergrupal? — são pessoas se associando em grupo para cometer atos de violência contra outras pessoas na fronteira do Egito com o Sudão. Aí estão esses primeiros vestígios, mais de 13 mil anos atrás."
O autor também aborda a relação entre religião e guerra, destacando que textos sagrados das três principais religiões monoteístas apresentam tanto mensagens de paz quanto passagens que, em determinados contextos históricos, foram usadas para justificar a violência.
"Se a gente vai aos textos das três principais religiões monoteístas, do islamismo, do judaísmo e do cristianismo, todas elas têm seus textos sagrados, trechos que, lidos isoladamente, mostram ensejos, que são incentivos, são recomendações divinas para que a violência seja cometida."
Paz pode ser ordem imposta e não ausência de conflito
João Paulo ainda refletiu sobre o conceito de paz e afirmou que a definição mais comum, a ausência de conflito, pode ser limitada. Segundo ele, a ideia de tranquilidade nem sempre significa a inexistência de violência, mas, em muitos casos, a manutenção de uma ordem imposta.
"Às vezes, você tem uma situação de aparente tranquilidade, mas ela só existe porque pessoas oprimidas não conseguem força suficiente para se manifestar. Então, a ausência de guerra nem sempre é a paz. Muitas vezes, a paz é só uma ordem imposta por um grupo que tem mais condições de manter a ordem."
