João Gordo lembra show de abertura para os Ramones, em 1991: 'Quando convidaram a gente, para mim foi tipo um ataque cardíaco'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Em sua segunda apresentação no Rock in Rio, após o show com os Ratos de Porão em 2022, João Gordo voltou ao palco Supernova neste domingo (6) para um tributo aos Ramones, tocando o disco de estreia da banda nova-iorquina, homônimo, lançado há 50 anos. Um dos pioneiros do pop rock nacional, o cantor interpretou, para o público que assistia sob a forte chuva, clássicos como "Blitzkrieg bop", "I wanna be your boyfriend" e "Now I wanna sniff some glue", junto da formação de psychobilly Asteroides Trio no Supernova.

Veja vídeo: Barão Vermelho leva Cazuza ao palco para dueto 41 anos após clássica apresentação no primeiro Rock in Rio Tempo real: saiba tudo sobre o terceiro dia do Rock in Rio João Gordo lembrou das quatro vezes em que tocou com os Ramones, como quando os Ratos de Porão abriram para eles em 1991. E da "dura" que tomou da polícia de São Paulo com os seus ídolos: "A hora em que eu cheguei no Dama Xoc, os Ramones estavam encostados na parede tomando uma geral da Rota. Eu falei 'Ô, seu tenente, são os Ramones, cara'. E aí ele falou: 'Encosta aí você também'. Eu encostei, e estava cheio de droga". Após a estreia com os Ratos de Porão em 2022, como é voltar ao Rock in Rio com este tributo aos Ramones? Estou bem melhor de saúde do que da outra vez. Eu estava explodindo e quase morrendo, não conseguia fazer o que eu queria direito. Agora perdi mais de 60 kg e estou bem melhor. E essa referência dos Ramones é muito louca. É a primeira vez que uma banda de psychobilly toca aqui no Rock in Rio, com baixo acústico, bateria de pé e guitarrista semiacústica. Essas eram as referências do rock and roll dos anos 1950. É inusitado mesmo, bem diferente. E as versões ficaram bem legais. Como foi trazer os originais do punk para esse universo? Foi fácil. Todos os caras dos Asteroides são fãs de Ramones também. Notas dos críticos do GLOBO: Veja o ranking dos shows do Rock in Rio neste domingo (6) Como você vê essa influência dos Ramones, que tiveram uma carreira relativamente curta, de 22 anos, mas ainda chegam de maneira tão forte para públicos de gerações mais novas? É um bagulho seminal, né? E que não vai existir outro. Que nem o AC/DC, também não vai existir outro igual. A hora que acabar, acabou. E é assim, é para sempre. É justamente essa simplicidade de transformar o rock, que era a maior complicação, que ninguém conseguia fazer, num negócio simples. Era acessível para todo mundo, para qualquer moleque de garagem. Isso é muito relevante até hoje. Você se lembra do adolescente que você foi ouvindo Ramones pela primeira vez? Eu conheci pela coletânea "A Revista Pop apresenta o Punk Rock" (de 1977), que juntou vários compactos da época e no meio estava o compacto do Ramones, tinha a "Now I wanna sniff some glue". Então os Ramones me introduziram no mundo do punk e das drogas, eu sabia que aquelas colas davam um barato. E eu já comecei a rasgar a minha calça, e minha mãe ficava: "Você tá louco? Rasgando calça?". Hoje em dia você vê madame com a calça rasgada, tá ligado? Me dá o maior bode ver essas mulher loira com a calça rasgada.

E a referência deles para a formação da cena punk de São Paulo, que começa nos anos 1970 e se consolida nos 1980, quando você inicia sua história com os Ratos de Porão? Isso num momento que o rock brasileiro mais radiofônico, era mais influenciado pela new wave. A gente veio primeiro, depois vieram os caras. Eu estava trabalhando lá no Napalm (bar no Centro de São Paulo), quando eles apareceram, Capital Inicial, Titãs, Legião Urbana, com o Renato Russo tocando baixo e cantando. Quando eles chegaram, a nossa cena já tava feita. Mas não era um bagulho comercial. Nunca foi, justamente por causa de briga de gangue, as letras radicais, da barulheira. Aí o rock nacional foi para lá e nós fomos para lá. E assim aconteceu. João Gordo e o Asteroides Trio no palco Supernova Nelson Gobbi Você teve a oportunidade de abrir com os Ratos o show dos Ramones em 1991, e já tocou com eles outras vezes. Como que foi essa convivência? Nós tocamos quatro vezes com o Ramones. Eu conheci eles em 1987. Quando eles convidaram a gente para cantar, para subir no palco e cantar com a banda, para mim foi tipo um ataque cardíaco, velho. Lembro que no dia que teve o show lá no Dama Xoc (antiga casa em Pinheiros), e mataram um moleque no primeiro dia. Aí no segundo dia, a polícia tava atrás de todo mundo. A hora em que eu cheguei no Dama Xoc, os Ramones estavam encostados na parede tomando uma geral da Rota. Eu falei "Ô, seu tenente, são os Ramones, cara". E aí ele falou: "Encosta aí você também". Eu encostei, e estava cheio de droga, cara. Aí a sorte que saiu o Haroldo lá do Dama Xoc e explicou tudo. Mas eu tive essa chance de tomar uma geral com o Ramones.

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