O Black Eyed Peas escreveu mais um capítulo da sua longa relação com o Brasil na noite deste domingo (6), fazendo sua segunda apresentação no Palco Mundo do Rock in Rio (a primeira foi em 2019). Uma das atrações mais esperadas deste terceiro dia de festival, o grupo de pop e hip hop americano, que já fez mais de 20 apresentações no país, incluindo uma apoteótica na praia de Ipanema, em 2007, subiu no palco como quem pede um CPF pra chamar de seu.
O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Rock in Rio 2026: Acompanhe o terceiro dia do festival em tempo real Começaram numa metalinguagem com “Let’s get started!”, sucesso explosivo de rádio que ajudou a dar a fama mundial do grupo. Mesmo debaixo de um a chuva torrencial na Cidade do Rock, a plateia se entregou e pediu mais. Will.i.am, apl.de.ap, J. Rey Soul e Taboo responderam lá no alto com “Boom boom pow” e “Rock that body”. Depois de "Ritmo", a (ótima) cantora filipina-americana J. Rey Soul, herdeira de Fergie no vocal feminino do grupo, interagiu com o público pedindo que o mesmo a chamasse de "Mamacita", mesmo título da próxima canção do set. E que lá pelas tantas virou "I wanna dance with somebody", o clássico de Whitney Houston. Taboo pediu um salve para a colega, e o público a aplaudiu. Em seguida, o rapper apresentou a banda.
Diante do mar de pessoas encapuzadas com suas capas de chuva, o BEP seguiu com "In the air", "Mabuti" e "Bepot" e "#thatPower", antes de chamar um conhecido do público no palco. Era Papatinho, o beatmaker que emergiu da cena de rap underground carioca com a Cone Crew Diretoria e depois ganhou o mundo, assinando tracks com nomes como Snoop Dog e o próprio Black Eyed Peas. Mas Papato era o Brasil ali, e a carta que tirou da manga, ou melhor, de seu MPC, foi "Eu só quero é ser feliz", relíquia dos bailes funks do Rio dos anos 1990 de autoria de Cidinho e Doca. Não tinha como dar errado.
Papato ficou pra festa e ainda largou o dedo em "I like to move it", envernizada com batidão de funk, e will.i.am entrou no clima cantando o trecho do refrão de "Rap das Armas", outra joia de favela. Os dois, então, fizeram uma inédita, anunciou Papatinho. A música era boa, mas poderia ter sido acompanhada por algo melhor do que um constrangedor clipe feito de inteligência artificial no telão.
Papatinho se despediu. "A gente tem que respeitar, esses caras são foda porque valorizam a cultura brasileira de verdade", disse o carioca. "Sangue bom", respondeu will.i.am. Após "Scream and shot", mais uma reverência ao Brasil, com "Mas que nada", a boa versão que o grupo fez da música de Sergio Mendes e que também imperou nas rádios brasileiras duas décadas atrás.
No fim das contas, o testemunho de Papatinho estava certo. Não só pelo repertório que sustenta um Palco Mundo com uma boa quantidade de hits incontestáveis, o Black Eyed Peas ganha pela identificação que criou junto ao público brasileiro, uma construção de anos, que culminou em "I gotta feeling", sucessão do final dos anos 2000 feito em parceria com David Guetta. Ninguém ficou no tédio, e ainda rolou bandeira do Brasil estendida pelos cantores em cima do palco no final.
Onde e quando assistir ao Rock in Rio 2026? O Rock in Rio conta com transmissão ao vivo nos dias 4, 5, 6, 11, 12 e 13 de setembro, a partir das 15h15, pelo Multishow, e a partir das 15h50, pelo Canal Bis. No feriado do dia 7, a transmissão começa às 14h45 no Multishow e às 16h20 no Canal Bis. O Globoplay oferecerá sinal aberto para acompanhar os cinco palcos do Rock in Rio todos os dias, a partir das 15h30. Assinantes do plano Premium da plataforma de streaming também terão acesso à transmissão do Multishow em 4K, por meio de um sinal extra. A TV Globo exibirá flashes durante a programação e um especial todas as noites — às sextas (4 e 11/9), após o Globo Repórter; aos sábados (5 e 12/9), após o Altas Horas; aos domingos (6 e 13/9), após o Boletim Estrelas da Casa, e na segunda (7/9), após o Jornal da Globo.
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