Japão transforma tecnologia em aliada para enfrentar terremotos - mas sistemas não são infalíveis

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Nesta terça-feira (28), um terremoto de magnitude 7.1 atingiu o sul do Japão, deixando dezenas de mortos e feridos e milhares de casas sem energia. O epicentro foi próximo às cidades de Kumamoto e Uki, na ilha de Kyushu, segundo a Agência Meteorológica japonesa (JMA, na sigla em inglês). Em decorrência do tremor, uma parte do shopping Aeon Mall Kumamoto e uma chaminé de uma fábrica de papel, ambos em Kumamoto, desabaram.

As autoridades emitiram alertas para outros possíveis terremotos e mobilizaram equipes de resgate para as áreas mais afetadas. O Japão é um dos países mais propensos a terremotos no mundo, com um tremor ocorrendo pelo menos a cada cinco minutos. Isso acontece porque a nação está localizada no Círculo de Fogo do Pacífico, faixa geológica que concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica do mundo.

Nessa região, diversas placas tectônicas permanecem em movimento constante. O atrito entre elas — seja por colisão, afastamento ou deslizamento — acumula tensão que, ao ser liberada, provoca terremotos de diferentes magnitudes.

Diante desse cenário, o Japão se tornou uma referência mundial em tecnologias voltadas para a redução dos impactos dos terremotos. Uma combinação de engenharia avançada, inteligência artificial e sistemas de alerta precoce permitem detectar os fenômenos em seus primeiros instantes, interromper automaticamente serviços essenciais e reduzir o risco de colapsos estruturais.

Grande parte dos edifícios japoneses é construída de forma a se mover com os tremores. Materiais como aço e concreto armado de alta performance e instalação de amortecedores de borracha e molas fazem com que absorvam parte da energia liberada pelos terremotos. O sistema de alerta precoce, o Earthquake Early Warning, é operado pela JMA. Milhares de sismógrafos distribuídos pelo país detectam as primeiras ondas sísmicas, conhecidas como ondas P, que são menos destrutivas e viajam mais rapidamente que as ondas S, responsáveis pelos maiores danos. Em poucos segundos, algoritmos calculam a localização e a intensidade estimada do terremoto e enviam alertas para celulares, emissoras de televisão, rádios, painéis eletrônicos, empresas e órgãos públicos. Dependendo da distância em relação ao epicentro, a população consegue ter tempo suficiente para procurar abrigo e para que sistemas automatizados entrem em funcionamento. Nos últimos anos, pesquisadores japoneses também passaram a incorporar inteligência artificial aos sistemas de monitoramento sísmico. Modelos de aprendizado de máquina analisam grandes volumes de dados em tempo real para localizar com maior rapidez os epicentros, estimar a intensidade dos tremores e melhorar a emissão de alertas. Embora os sistemas do Japão estejam entre os mais avançados do mundo, eles não são infalíveis. Em terremotos muito rasos ou com epicentro próximo a áreas densamente povoadas, o intervalo entre a detecção e a chegada do tremor pode ser curto demais para permitir uma reação efetiva. Além disso, eventos extremos podem causar danos superiores aos previstos pelos projetos de engenharia. Como o que aconteceu nesta terça-feira e destruiu o Aeon Mall Kumamoto. O shopping, inclusive, já havia sido danificado por um outro terremoto, de magnitude de 7,3, em 2016. Durante dez anos, ele funcionou de forma parcial e, em junho deste ano, foi reinaugurado. No caso atual, há relatos de mortos e pessoas presas nos escombros.

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